segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

ARTIGOS - A SUBVERSÃO DO REINO DE DEUS 5 (FINAL)


O amor de Deus nos constrange, nos toca, mexe por dentro de nós e fala com o ser da gente. O amor não é um sentimento, é uma pessoa. O amor é Deus. O amor não vem apenas Dele, Ele É amor.

Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7

Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. 1 João 4:8

Mas uma vez recorro a Lutero que disse: "O homem produz boas obras porque ele é tornado bom em Cristo; não é bom porque produz boas obras. Ele só produz boas obras porque Cristo, pela Sua graça, o fez bom".

Assim será o andar do discípulo de Jesus. Será um andar sengundo o Espírito Santo "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Romanos 8:3,4

Esse texto nos mostra o que o Senhor Jesus fez por nós e, o que o Espírito Santo fará em nós. Como a nossa "carne" é "enferma", não conseguimos cumprir os propósitos de Deus, e Deus em Sua providência enviou Seu filho Jesus para resolver o âmago do problema humano - o pecado -; Jesus veio em carne, morreu pelos pecadores e, ao fazê-lo, "condenou na carne, o pecado". Isto significa que Jesus levou de mim tudo o que concernia a velha criação, o velho homem. Deus agiu bem na raíz de nosso problema. A partir daí, como andar no Espírito? Primeiramente, todos os discípulos de Jesus, têm o Espírito Santo. Não é um trabalho humano, é simplesmente um andar. Todo o esforço que fazia "na carne" para agradar a Deus, e que de fato, não O agradava, dá lugar para a dependência absoluta do Espírito, pois é pela eficácia que opera suficientemente em mim.

E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente. Colossenses 1:29

Para mim, as bençãos apostólicas em 2 Coríntios 13:13 carrega uma mensagem fortíssima: "A graça do senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós". O amor é vem de Deus e é o próprio Deus; a graça é este amor expressado e colocado ao nosso dispor pelo Filho; a comunhão é obra do Espírito Santo em nós em comunicar esta Graça. O que Deus projetou para nós, Jesus cumpriu e realizou em nosso favor, e agora o Espírito comunica e transmite a nós.

Devemos permanecer em Jesus e Ele em nós e seremos sal e luz da terra. Gálatas 2:20: "...não mais eu, mas Cristo...". Não há nada de novidade teológica explicada por Paulo, pois estar morto para o pecado e vivo para Deus "em Cristo", deve ser o plano normal de seus discípulos.


Deus nos revela claramente em Sua palavra que só há um caminho, uma resposta, uma verdade absoluta, o salvador: Jesus Cristo.

Os dias são maus, há imensas lutas espirituais sendo travadas, mas se andarmos "no" e "com" o Espírito de Deus, seremos bençãos onde estivermos e proclamaremos a vitória de nosso Senhor e Salvador Jesus em todo os lugares. Os céus dos céus não contêm a Deus, mas Ele habita com o quebrantado e contrito de coração. Não despreza aos que a Ele se chegam, para receberem em tempo oportuno a Graça e o Amor de Jesus em suas vidas.

Agora não empreenderei nenhuma ação sem depender confiadamente em Deus. Não encontrarei suficiência em mim mesmo. Não darei qualquer passo somente porque tenho o poder de fazê-lo.
Não depositarei confiança em mim mesmo. Dependerei de Sua presença e Graça todos os dias. A minha suficiência só poderá vir Dele, hoje e sempre.

Fábio Menen

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ARTIGOS - A SUBVERSÃO DO REINO DE DEUS 4



"PELA DUREZA DO VOSSO CORAÇÃO" verso 18 Capítulo 4

Deus chamou o seu povo de "povo de dura cerviz" Dt.9:6. Dura cerviz era uma expressão usada pelos fazendeiros em referência a um boi ou cavalo que não obedecesse ao seu dono. É o caso do animal que "empaca" e não quer obedecer.

Paulo diz que o coração humano está endurecido e impenetrável. O coração endurecido não aceita a Palavra de Deus, por isso é que deve haver um derramar do Espírito Santo no coração das pessoas, quebrantando, sacudindo, amolecendo e trabalhando nessas vidas. No livro de Ezequiel 11:19 está escrito: "Tirarei de sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne"; isto é, um coração que queira a Deus e se torne receptivo a Ele. O verso 19 do livro de Efésios diz:"tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez cometerem toda sorte de impureza". Nada lhes tocam, nada os comovem; entregaram-se a uma vida dissoluta, arruaceira, sem limites para praticarem toda sorte de abominações, transgressões e pecados; além de desdenhar da Graça de Deus.

Tiago nos mostra que há o mundo que Deus odeia "Aquele que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus" (4:4). Vemos também o mundo ao qual Deus ama "Porque Deus amou ao mundo..." João 3:16. Há um mundo que devemos nos afastar dele e um mundo que Deus criara e o ama. O mundo pode jazer no maligno, mas o planeta terra pertence unicamente a Deus. Devemos odiar o que Deus odeia e amar o que Deus ama.

Pensando assim eu afirmo: Deus não é chato! Ele não é um estraga prazeres!

Deus sabe que o pecado atinge e adoece a nós mesmos. O seu amor por nós é que O faz dizer tudo o que disse sobre as consequencias de nossas atitudes.

O principal alvo do amor de Deus é o homem ao qual criara, mesmo este andando perdido. Atravez do profeta Ezequiel, Deus revela o quanto Ele quer oferecer a Sua graça, amor, e perdão: "Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? - diz o Senhor Deus; não desejo eu, que ele se converta dos seus maus caminhos e viva?" (18:23). Deus ama a sua criação e seus filhos. Como disse o reformador Martinho Lutero: "Deus me abençoou tão particularmente, apesar de minha indignidade, que só tenho razões para me alegrar, amar e fazer o bem, mesmo aos que mereciam de minha parte o contrário; pois eu mesmo recebo de Deus o contrário do que mereço".

A SUBVERSÃO DO REINO DE DEUS

Amiúde vejo a angústia da sociedade e percebo como a solução e a resposta às suas celeumas não estão longe deles. O Reino de Deus está aqui! Nesse exato momento o Reino de Deus está presente. Jesus estabeleceu o Reino de Deus em nós. Só escrevo o que escrevo porque faço parte do Reino de Deus hoje. Jesus, que é a razão da nossa fé, o Reino de Deus, o Evangelho, a Graça, a Cura e a salvação estão explicitamente diante do ser humano.

Eis a realidade do Reino de Deus entre nós:

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Mateus 6:33

Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus. Mateus 12:28

E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Mateus 19:24

Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos. Mateus 21:43

E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho. Marcos 1:5

E dizia: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos?Marcos 4:30

E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E já ninguém ousava perguntar-lhe mais nada. Marcos 12:34

Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado. Lucas 4:43

E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Lucas 6:20

E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos. Lucas 9:2

E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. Lucas 9:62

E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Lucas 17:20

Pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum. Atos 28:31

Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Romanos 14:27

Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. I Coríntios 4:20

Jesus nos chama a vivermos as realidades do Reino hoje. Ele nos convida a seguí-lo.

Em uma certa ocasião Jesus disse aos Fariseus e Saduceus:

"Ai de vós, escribas e farizeus, hipócritas, porque dais os dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porêm, fazem estas coisas, sem omitir aquelas" Mateus 23:23

Em outras palavras, a vida humana deve estar acima de qualquer tradição, dogma ou preceitos. Quando se dá mais valor a estas coisas em detrimento ao valor que a alma humana possui - pois somos amados por Deus pelo valor da nossa alma e Jesus é o intercessor, sacerdote, mediador, salvador e reconciliador entre os homens e Deus - então, se damos valor para o rito e não valorizamos o ser humano a quem Deus ama, tornamo-nos hipócritas. Foram essas atitudes que levaram Jesus a ser tão crítico com os Farizeus e Saduceus.

Não havia nada de errado em entrega o dízimo; a questão é que todo esse sacrifício não tinha correspondência interior e de compromisso com o próximo. O problema desses homens é que eles estavam mais preocupados com os aparatos, exterioridades e aparências, que os fazia negligenciar princípios importantes e imutáveis da lei de Deus: a justiça, a misericórdia e a fé. Isso nos ensina que toda prática religiosa destituída de justiça, misericórdia e fé, não é bíblica; impossibilita a formação de um coração sensível, aberto e humilde, e que de fato, ignora a dor do próximo, pois justiça e misericórdia são são cabíveis, executados e direcionados a seres humanos, às pessoas. Justiça e misericórdia são atos que devem ser praticados pelos discípulos de Jesus em consequência do agir do Espírito Santo em suas vidas.

O livro do Apocalipse nos fala sobre as vestes brancas e João diz que essas vestes simbolizam os atos justos dos santos. Atos de justiça está em falta no meio cristão. Muitas vezes o poder da religião premia o esperto e o astuto e se desfaz do sincero e coerente. Não são nossos atos justos que nos salva, mas a salvação que nos alcançou deve produzir em nós os atos justos. Não sou salvo por causa de minha justiça, mas por ser salvo vou ser justo. Isso também se aplica a santidade. O evangelho nos ensina que os que são salvos terão desejo para serem santificados pelo poder do Espírito e pela Palavra de Deus. Quem não é salvo não terá essa disposição. Não é a santidade que me salva, justamente por ser salvo vou querer a santidade. Santidade é consequencia da salvação e não o oposto.

A prática da misericórdia são para os que foram alcançados por ela. É recíproco. Jesus disse: "Bem aventurados os misericordiosos, pois alcançarão misericórdia". Pode dar-se o dízimo da hortelã, do endro, do salário, do 13º, mas se não tiver o exercício da misericórdia, ela não o alcançará como bem em sua vida. Paulo diz que eu posso até oferecer meu corpo para ser queimado, se não houver amor, mas só exibicionismo, isso tudo é visto por Deus como nada.

Hoje, no meio cristão, se você pecar ou errar está condenado. Não é permitido, principalmente se for líder, cair, tropeçar, equivocar-se; pois se você errou, deve pagar muito para ser absolvido. Em outras palavras, não há muita prática misericordiosa entre nós. Ou fica no banco ou é expulso!

Como Jesus agia diferente. Para a prostituta que era pecadora e merecedora da morte, Ele a refaz das cinzas de seus pecados e culpas e lhe dá uma nova vida. Pedro, que se tivesse traído a Jesus nos nossos dias, não seria aceito em nenhuma de nossas igrejas. Jesus pergunta apenas se Pedro ainda O ama, sendo que para Jesus apenas o amor responde como um verdadeiro arrependimento.

Caio Fábio disse em um de seus livros: "A igreja necessita de modelos saudáveis para enfrentar os desafios impostos pelo mundo moderno. Devemos contribuir para o surgimento de igrejas cristãs amadurecidas, que transformem positivamente, não apenas a realidade pessoal de cada um de seus membros, mas, toda a comunidade em que estão inseridas".

Queridos, Jesus é a resposta única e radical para o mundo moderno. O evangelho é sublime! não há palavras tão fortes, tão sábias e que causem estupefação do que as que foram proferidas por Jesus de Nazaré. Sua mensagem é a voz de Deus que vai ao encontro da alma humana, a fim de revelar tão grande amor que Ele tem por nós. Suas palavras são forças para o cansado, conforto para o abatido, ânimo para quem está a desistir.

Continua...

Fábio Menen

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ARTIGOS - A SUBVERSÃO DO REINO DE DEUS 3



Repetindo: Isaías temeu e tremeu diante de Deus. Isaías ficara extasiado diante de tamanha revelação e graça. A partir desse episódio, Isaías é comissionado a ser profeta. Antes do chamado a ser profeta ele foi santificado; santidade deve vir sempre antes de qualquer chamado. Antes de sermos profeta devemos ser santos. Santidade é dedicação total para Deus.


No Novo Testamento vemos com clareza essa revelação de Deus para Seu povo.


Em Cristo, todos quantos crêem N’ele, independente da sua maturidade espiritual, são chamados santos


“Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus...”
Filipenses 1:1


Quando nossas consciências se rendem ao Senhorio de Cristo e por Ele são transformadas, passamos a ser novas criaturas - 2Coríntios 5:17 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”; são chamados filhos de Deus João 1:12Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”; recebem justificaçãoRomanos 5:1Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”; e salvaçãoRomanos 10:9 – “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.


O Apóstolo Paulo escrevendo uma carta à igreja de Éfeso, a quem ele amava como filhos, parece querer alertá-los quanto aos perigos de se desviarem do primeiro amor e da vocação a qual haviam sido chamados. No capítulo 4 verso 17 a 24, Paulo admoesta a viverem em santidade – que é conhecer e ser conhecido por Deus -, em contraste com o sistema de vida dos que vivem sem Deus. Ele não expõe a idéia de vida com Deus como reclusão do mundo, mas como pessoas inseridas no mundo sem serem do mundo. Não podemos nos reclusar do mundo, pois o sal da terra deve dar sabor em todas as esferas da sociedade, isto é, no mundo. A luz que Jesus disse que somos deve brilhar onde jazem as trevas, do lado de fora da igreja para os que não O conhecem, através de nós, vendo a luz e o sabor, sejam convencidos e glorifiquem a Deus Pai.


A Igreja deve sim salgar o meio em que vive, não apenas dentro do templo, mas fora dele. Não espera que pecadores tomem a iniciativa, mas os iniciadores e agentes de Deus para fazer o nome do Senhor conhecido e louvado.


No livro de Levítico, ecoa a voz do Senhor: “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo...” (11:44)


O apóstolo Paulo queria imprimir em seus irmãos em Éfeso essa visão da santidade; a mesma que havia visitado Isaías, e que se esquecessem de vez da vida anterior que haviam levado – idolatria, prostituição e filosofias vãs -, para que não voltassem a praticar o que deveriam abandonar. A igreja de Éfeso deveria pensar de si mesma como pessoas “em Cristo”, pessoas com identidade nova – Efésios 2:12-13:


Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.”


A vontade de Deus é que estejamos em Cristo, pois seremos participantes das bênçãos do Reino de Deus.


’NÃO ANDEIS COMO TAMBÉM ANDAM OS GENTIOS, NA VAIDADE DE SEUS PRÓPRIOS PENSAMENTOS” Verso 18


A sociedade sem Deus vive no obscuro, na escuridão, sem luz e sem percepção das coisas espirituais. É o homem ou a mulher que tem a mente fechada, lacrada, trancada e que não aceita aquilo que vem da Palavra de Deus. É o que diz em 2 Coríntios 4:4nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo”.


Paulo informa que há um ser petrificando mentes para que os valores do evangelho não sejam compreendidos e aceitáveis pela mente moderna. O homem, a quem Deus capacitou de raciocínio, de pensar e de elucubrar, não consegue por vias próprias, exaurir as coisas espirituais, pois lhe estão vedados os instrumentos de compreensão para as verdades da Palavra e do reino de Deus. Sendo assim, o que ocorre é uma resistência ao evangelho e aos valores espirituais contidos nela, sendo que a Palavra de Deus traz consigo vida, revelação, verdade e salvação. “Ora o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente1Coríntios 2:14.


Nicodemos não entendia a idéia de “nascer de novo”, pois ele queria interpretá-la do modo humano e natural; e não pôde entendê-la, pois no dizer de Paulo, vários assuntos espirituais são discernidos e entendidos, espiritualmente; como revelação do Espírito Santo, que abre o nosso entendimento e faz esclarecer princípios de Deus para a nossa compreensão. Vale ressaltar que o ódio e a ira praticados contra alguém é conseqüência de uma mente fechada e obscurecida: “Aquele, porém, que odeia seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram (obscureceu) os olhos1João 2:11 (o grifo é meu).


ALHEIOS, À VIDA DE DEUS POR CAUSA DA IGNORÂNCIA EM QUE VIVEM” Verso 18b


Viver alheio é viver sem se importar; é ser indiferente, rejeitar e não querer aproximação.

É o ateu que rejeita a Deus pela negação que faz e pelas vãs filosofias. Elucubrou e pesquisou tanto, que passa a ter a presunção de poder afirmar “Deus não existe”; isso porque Deus não é “estudável” e não há como colocá-lo dentro de um “tubo de ensaio”. Então, nega-se a Deus. O ser humano não sabe lidar nem com a própria existência e ainda quer afirmar que não há Deus.


O que me preocupa de fato, é o ATEÍSMO CRISTÂO. Sim, podemos negar a Deus. Podemos ter uma boca que O confesse, conhecer seus mandamentos, caminhos, saber como proceder, e a despeito disso, procedermos contra aquilo que afirmamos crer; na prática, fica evidenciado o quão ateus podemos ser. Isso porque para o ateu não há absolutividade e referenciais, tudo pode ser relativo. Nós, os cristãos, temos Alguém absoluto sobre todas as coisas e temos referenciais de vida, pautados na Palavra do Senhor Jesus. Agora, quando nosso proceder e agir no meio da sociedade é desprovido de absolutividade e integridade e sem referências éticas que nos “diferencie” dos outros, negamos a Deus por esses atos. Tornam-se ateus os que sabendo como comportar-se diante de Deus vivem exatamente como se Ele não se importasse com muitas feiúras que se praticam. O sujeito vai se acostumando com Deus. O coração vai ficando pedrado, ignorante e insensível. Imagine que essa era uma das razões pela qual Jesus tanto criticou os Fariseus e Saduceus. Se alguém dissesse que era diferente deles, e ao mesmo tempo dizer que era de Jesus, era tratado como não “filho de Abraão”, pois só eles seriam os “eleitos”; afinal, são eles quem guardam as “sãs doutrinas” irremovíveis e por isso possuem a legitimação divina. Eles negavam a Deus mediante a interpretação ortodoxa impiedosa que praticavam. Negamos ao Senhor e abandonamos o “espírito” do Evangelho quando nos tornamos fanáticos e intolerantes. São muitos os que desistem de Deus por essa razão.

Quem poderia dizer que os que eram porta-vozes da lei de Moisés eram justamente os que negavam a Deus por estarem lutando contra a Graça de Jesus!? Ser alheio a Deus é saber que Ele existe e que Ele deseja que eu O conheça todos os dias, e sabendo disso, simplesmente o tratar com desdém, sem temor e sem reverência. Os próprios anjos do céu escondem a face para não O verem, conforme Isaías, e muito dos que são oferecidos amor e graça tratam do que receberam como algo fútil e sem importância.


Pensamos quase sempre que as admoestações de Paulo são para os incrédulos e nunca para nós. Veremos transformações significativas quando realmente não falarmos só de boca, mas quando essa confissão de Deus tenha voz e atitudes visíveis no meio da sociedade como frutos do Espírito Santo em nós.

Continua...

Fábio

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO


NÃO QUERO MAIS SER EVANGÉLICO

Não estou brincando! A indignação toma conta de meu ser, pois não dá mais. Evangélico no Brasil virou sinônimo de movimento financeiro religioso, algo meio sem ética – ou totalmente se preferir – em que se rouba e depois ora pedindo perdão a Deus. O “mensalão” de Brasília revela não apenas o que há de pior na política brasileira, mas algo cheira mal na fé evangélica também (ou plagiando o filme, “Fé de mais não cheira bem”). Como é possível alguém orar e dizer que o “financiador” é uma bênção para a cidade? A verdade é que hoje a cristandade está com a síndrome de Geazi, servo do profeta Eliseu (2Reis 5:20-27). Correndo atrás dos tesouros de Naamã, a cristandade gananciosa (2Reis 5:20) mente e camufla situações para justificar seus pecados (2Reis 5:22); pior, esconde o pecado (2Reis 5:24), mostrando a hipocrisia em que vivem (2Reis 5:25). Desta vez foi a gota d’água, ver um pastor, que é deputado distrital – o que já é incoerente, pois ou é pastor ou deputado – e o presidente da Câmara, orando e pedindo a Deus pelo gestor dasfraudes, chamando-o de “instrumento de bênção para nossas vidas e para a cidade”. Para a cidade de Brasília eu não sei, mas parece que o gestor financeiro do mensalão foi uma “bênção” para outros.

Não é apenas isso (ou tudo isso), mas a Igreja Evangélica no Brasil virou um monstrengo, uma colcha de retalhos, que mistura “alhos com bugalhos”, Bíblia com água e óleo ungido. Os pastores deixaram de ser homens de reconhecida piedade para serem executivos da fé; jogaram no lixo a orientação de Paulo para serem ministros de Cristo, que se ocupassem da leitura da Escritura, “à exortação e ao ensino” (1Timóteo 4:12,13), para serem ministros de simesmo, onde a “escritura” agora é auto-ajuda, e a exortação e o ensino viraram barganha de promessas. Não me escandalizo mais, pois o que sinto é uma revolta contra aqueles que “seguiram pelo caminho de Caim, e por causa do lucro se lançaram no erro de Balaão...” (Judas 11).
Por isso não me chamem de “evangélico”, pois este termo implicava numa atitude baseada no Evangelho de Cristo. Mas hoje isso virou um termo jocoso e maldoso. Não quero mais compactuar com pastores que vendem e compram igrejas (isso mesmo!) como se fossem propriedades privadas, investimentos financeiros lucrosos. Não quero mais saber deste evangelicalismo sem ética, sem doutrina e que está mandando milhares para o inferno. Chega deste evangelho de faz-de-conta, em que Jesus é apresentado como um “amigão”, mas nunca como Senhor. Chega deste “evangelho” sem cruz, sem vergonha e mentiroso. Com certeza, Pedro está certo quando afirma pelo Espírito Santo: “... Tais homens têm prazer na luxúria à luz do dia... enganam os inconstantes e têm o coração exercitado na ganância. São malditos. Eles se desviaram, deixando o caminho reto e seguindo o caminho de Balaão, filho deBeor, que amou o prêmio da injustiça” (2Pedro 2:13-15).
E agora? Onde estão os apóstolos que pedem dinheiro e se envolvem com as maracutaias religiosas? Onde estão aqueles que oram pelo dinheiro sujo e pedem em nome de Deus que os abençoe? Onde estão aqueles que vendem igrejas com membros e tudo mais? Que pedem “trízimo” (não estou brincando), ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo? Onde estão os profetas com suas “profetadas” e palavras “ungidas”? Onde está a Igreja que diz proclamar em alta voz que o Brasil é do Senhor Jesus? Ouçamos Isaías: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que transformam trevas em luz e luz em trevas, e ao amargo em doce, e o doce em amargo!... Por isso a ira do SENHOR acendeu-se contra o seu povo, e o SENHOR estendeu a mão contra ele e o feriu...” (Isaías 5:20,25a)
Aqui não é um julgamento. Que ninguém me venha com a falácia de “Não julgueis para não serdes julgados”, pois isso é um simplismo de que se aproveitam muitos daqueles que são desonestos e usam a Bíblia para justificar suas ações. Diante da injustiça não podemos nos calar, seja ela de um evangélico ou não. Não me chamem de evangélico, pois não quero este evangelho mercadológico. Quero apenas ser cristão, quero apenas seguir a Cristo e viver para Ele.
O autor, Gilson Souto Maior Junior, é pastor sênior da Igreja Batista do Estoril e professor de Antigo Testamento e Hebraico da Faculdade Teológica Batista de Bauru - Fateo
Pensem urgente-mente nisso!

Fábio

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ARTIGOS - A SUBVERSÃO DO REINO DE DEUS 2


Somente Deus que é pai, criador e autor da existência, poderá mudar a vida do ser humano caído. Ele enviou Jesus como Salvador e Senhor. Pois é exatamente o que o mundo necessita, salvação e senhorio. Mas, para isso acontecer, é necessário o encontro entre Criador e criatura, entre o Pai e o filho, entre o Salvador e o perdido. Encontrá-Lo, ou melhor, ser encontrado por Ele, implicará para o homem crise de seu próprio coração, que é carnal e alienado de Deus. Quando o homem é confrontado por Deus e pela Santidade que lhe é exposta – não a santidade religiosa e legalista – mas a santidade que advém do próprio Deus, a consciência desse indivíduo o acusa da impossibilidade de por méritos próprios ser digno de estar/permanecer na presença do Todo Poderoso. Todo encontro com Deus deverá provocar uma crise no ser humano; porém, uma crise que o fará olhar a si mesmo como Deus o vê.

Essa crise acentuará a consciência de que viver em santidade é viver única e exclusivamente com Deus em toda sinceridade de coração e entrega diária da vida a Ele. Quando se vive com Deus, mediante Jesus, a alma encontra prazer Nele; palmilham outros caminhos que é o caminho do discipulado e segue após Jesus.

Eis a cura para a sociedade: pessoas que são encontrados por Deus, tornam-se discípulos de Jesus, crescem em maturidade, consciência e experiência, semeando a mensagem do Evangelho que é a boa nova do reino de Deus. E a boa nova é que Deus está reconciliado com o mundo.

Então, quando se anda com Deus, a mente se metamorfoseia constantemente; mudança de consciência, de pensar, de atitudes e atos. Não há outra forma de “transformação interior” a não ser pela total entrega do ser Àquele que “sonda mentes e corações”.

A religião não gera essa transformação em indivíduos e em sociedades; a religião pode mudar suas roupas, seu penteado, seu cabelo grande, sua profissão e impor até regras, mas não tem nenhum poder de gerar um novo ser, uma nova criatura, que é a proposta de Jesus de Nazaré. A religião nasce na terra e busca alcançar a Deus, o Evangelho tem início no coração de Deus para alcançar os que habitam a terra. Tudo começa em Deus e termina com Ele. E o que vier a acontecer a qualquer ser humano como bem de Deus é pura Graça, pois a Graça é ação de Deus em favor dos homens.

Se não for mudança como resultado da Graça, mas por medo, punições e pelo inferno, será gerado aí um religioso frio e vazio, que diz que anda com Deus, não em uma relação aberta, apaixonada, pacificada, alegre e confiante, mas na base do medo, do castigo e das muitas barganhas com Deus.

Já encontrei pessoas assim: desviados da igreja, com medo de Deus e da santidade imposta. Desviados não de Deus, mas de regras e imposições humanas. Quando isso acontece, o julgo se torna tão pesado, que aquilo que era para ser libertador, passa a ser opressor. Sendo que no encontro com o Senhor da vida, há descanso em Sua presença e pacificidade em seu coração. Digo mais ainda, que para esses que impõem o jugo humano o que valem para eles é a aparência imediata. Não e importam se você ora mesmo, se busca o Senhor com verdade, se ama a Deus, se lê a Palavra com oração e discernimento e se tem compromisso ético e coerente com aquilo que se refere ao “viver em Cristo” no meio da sociedade. O que percebo e o que já vi muitas vezes são falsificações camufladas por uma pseudo-espiritualidade travestidas de aparências cristãs. São muitos os que dizem que tem a “Paz do Senhor, irmão!”, mas vivem cheios de ódio, irreconciliáveis, sem afetos, sem ternuras, sem misericórdia; atitudes essas sim, abomináveis diante de Deus.

Penso em Isaías em sua visão do Trono e da glória de Deus quando vê anjos que voavam em volta do Trono olhando uns para os outros proclamando a santidade de Deus e sobre a terra estar cheia da glória Dele. Nesse momento, Isaías entra em crise, ele sabe da pecaminosidade de seu coração e de sua inadequação e diz: “Aí de mim! Estou perdido!”. Porêm, é nesse momento de confissão e quebrantamento, que um anjo lhe toca os lábios, purificando-o de suas impurezas. Isaías é convocado a ser profeta.

Esse texto fala sobre a Graça de Deus. Deus se permite “ver” por alguém que não tinha credenciais para vê-lo, mas transforma radical-mente a vida de Isaías.

Amo essa perplexidade de Isaías! Vejo o quão longe estamos de sentirmos o que ele sentiu na presença do Senhor da vida. Acostumamos-nos com Ele. Não causa mais uma “expectativa” no coração em relação ao próximo encontro com Ele; cultuar virou sinônimo de sair de casa e ir para a igreja, nada mais. Não se cultua a Deus no templo e nem na vida onde o verdadeiro culto acontece.

O homem e a mulher que vive essa bendita inadequação que Isaías viveu receberão a revelação de que os seus próprios méritos não legitimam sua aproximação de Deus, mas que, todo dia o Sangue do Cordeiro Eterno, Jesus, estará cobrindo sua vida, fazendo dele um filho da Graça e do amor e o fará gozar a presença do Pai. Adorar a Deus pelo prazer te um dia Tê-lo conhecido.

Estamos acostumados a irmos aos cultos da prosperidade, da vitória, do sucesso, da conquista; pensando apenas em fórmulas para crescer e tomar posse de alguma coisa. Se a sua relação com Jesus se baseia nesses critérios, saiba que você se paganizou em relação a Deus.
Continua...
Fábio Menen








domingo, 29 de novembro de 2009

ARTIGOS - A SUBVERSÃO DO REINO DE DEUS



"Senhor, Deus da verdade, acaso, para Te agradar, basta ter conhecimento? Infeliz do homem que, tendo conhecimento de todas as coisas, Te ignora; mas feliz de quem Te conhece, mesmo que ignore todas as coisas. Quanto ao que é cheio de conhecimento e ainda também Te conhece, não é mais feliz por causa de sua ciência, mas só é feliz por Ti, se, conhecendo-Te, Te glorificar como Deus, e Te der graças, e não se desvanecer em seus pensamentos".

SANTO AGOSTINHO

O Evangelho é poder de Deus para a transformação de vidas e consciências mortas. Sim, todos os que nasceram, nasceram sob o vaticínio de que mesmo vivos no corpo, espiritualmente estão mortos.


A sociedade que conhecemos, pelo o que apresenta, é uma sociedade morta. No rosto das pessoas é visível a exterioração dessa terrível realidade. Não falo da morte propriamente dita; falo da morte antes da "morte do corpo", falo das inúmeras existências que passam e se vão sem poderem experimentar "vida" enquanto estão vivos; são pessoas que passam por muitas experiências e sensações, mas que, continuam em busca de alívio e satisfação que não satisfazem nunca. São indivíduos que se introduzem em profundos questionamentos, e em resposta, criam fugas do mundo real entregando-se a prazeres efêmeros e sórdidos.


Se honestamente fizermos uma leitura de nossa sociedade, de nosso povo e de nossa cultura, veremos que essa é uma realidade existêncial e espiritual em que jazem milhares de pessoas. Não há como fugir ou fingir desse fato. O mundo involui.
Encontra-se todos os dias pessoas com histórias das mais bizarras possíveis. Falam sempre da "morte" que visitou seus lares, suas casas, suas histórias e sem permissão, desgraçou seus sonhos. São filhos que não resistiram a realidade de verem seus pais espancando a mãe e que nunca ofereceram amor em casa, virarem "clones" daquilo que um dia os estigmatizou, insensíveis, arrogantes e delinquentes. Mulheres que desistem de viver pois não suportam mais a humilhação de serem traídas e de levarem surras de seus maridos. Homens que não podem ser fiéis e transparentes em suas relações e negociações, pois a figura do homem é sempre a figura de quem pode passar por cima de quem quer que seja, pai, mãe, esposa e filhos, importando apenas atingir e realizar seus prazeres.

Ser honesto e verdadeiro é pecado! Triste constatação.


A proposta do Evangelho de Jesus é re-fazer o que foi desfeito, tanto pelos erros humanos quanto pela sagacidade do diabo. Uma sociedade morta é composta por pessoas que embora vivas no corpo, já morreram em seus sonhos e esperanças. São pessoas que apenas externas angústias e impotências diante de quadros pintados de incertezas em seus corações.


Medo de investir no amor, medo de ser traído; medo de sntir, apaixonar, acreditar, errar, em se doar; enfim, medo de viver. E a causa do medo existente não só em indivíduos, mas também na sociedade, é devido a opressão maligna que atua no inconsciente coletivo das pessoas, levando-as a enfermarem em suas almas recebendo todas as sugestões de seu corpo desenfreado e fazendo-as acreditar que a vida que levam é assim mesmo, é natural, não tendo como mudá-la. E caem no pessimismo fatalista que é a entrega da vida à desistência de esperança.
Sei que são muitos os que carregam culpas e medos em uma sociedade adoecida e neurótica, devido a pobreza e violência que vemos no dia a dia.


O homem com todas as suas descobertas científicas e tecnológicas, ainda não descobriu a fórmula de produzir o bem nas pessoas; e de fato, não há fórmulas, sendo que o que pode resolver os problemas da sociedade e indivíduos, está além da possibilidade de qualquer psicólogo ou psicanalista solucionar. Essa questão só é resolvida nos ambientes do coração e da alma. Só se encontra o sentido da vida quando se encontra com a Verdade que liberta. Os sintomas que pessoas de classes sociais distintas enfrentam são as mesmas. A mesma depressão, a mesma insegurança, omesmo ódio, a mesma rotina. Atinge a qualquer um, sem distinção. Há uma frase que li do pastor Caio Fábio em seu livro Confissões que ratifica bem o que eu disse:

"Quando a pior realidade que um ser humano conhece na existência é a morte, então ele quer viver, mas quando, de súbito, ele reconhece a vida como sendo a pior experiência de seu existir humano, então, nesse dia, ele deseja ardentemente morrer".


E quem é que pode afirmar que não passa ou passou por essa vida sem experimentar tais angústias?

Vamos falar mais sobre isso na próxima postagem.

Um grande abraço!

Fábio Menen

sábado, 28 de novembro de 2009

VÍDEO - UNICO FILHO

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UMA PARÁBOLA DO AMOR DE DEUS POR NÓS.

DEUS AMOU AO MUNDO DE TAL MANEIRA QUE FOI CAPAZ DE OFERECER SEU FILHO PARA MORRER EM FAVOR DE TODA HUMANIDADE.

GRAÇA E PAZ!

FÁBIO

terça-feira, 24 de novembro de 2009

HOSPITALIDADE, A IGREJA E VOCÊ



1
¶ Depois apareceu-lhe o SENHOR nos carvalhais de Manre, estando ele assentado à porta da tenda, no calor do dia.
2
E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele. E vendo-os, correu da porta da tenda ao seu encontro e inclinou-se à terra,
3
E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo.
4
Que se traga já um pouco de água, e lavai os vossos pés, e recostai-vos debaixo desta árvore;
5
E trarei um bocado de pão, para que esforceis o vosso coração; depois passareis adiante, porquanto por isso chegastes até vosso servo. E disseram: Assim faze como disseste.
6
E Abraão apressou-se em ir ter com Sara à tenda, e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha, e faze bolos.
7
E correu Abraão às vacas, e tomou uma vitela tenra e boa, e deu-a ao moço, que se apressou em prepará-la.
8
E tomou manteiga e leite, e a vitela que tinha preparado, e pôs tudo diante deles, e ele estava em pé junto a eles debaixo da árvore; e comeram.
9
¶ E disseram-lhe: Onde está Sara, tua mulher? E ele disse: Ei-la aí na tenda.
10
E disse: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele.
11
E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres.
12
Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho?
13
E disse o SENHOR a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: Na verdade darei eu à luz ainda, havendo já envelhecido?
14
Haveria coisa alguma difícil ao SENHOR? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho.
15
E Sara negou, dizendo: Não me ri; porquanto temeu. E ele disse: Não digas isso, porque te riste.
16
¶ E levantaram-se aqueles homens dali, e olharam para o lado de Sodoma; e Abraão ia com eles, acompanhando-os.

Eu creio no que está escrito versículos acima. Anjos, os mensageiros de Deus visitando os humanos aqui na terra. São eles, conforme o livro de Hebreus:

"...espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação...",

que também creio que essa experiência pode ser vivida hodiernamente. Principalmente por que Deus é Senhor e Soberano sobre tudo e todos e realiza seus atos conforme o seu bem querer.

Eram três estrangeiros, homens estranhos que num dia qualquer foram visitar o patriarca Abraão. Abraão os recebeu com singeleza e receptividade – coisas que faltam hoje no meio cristão - , preparou uma boa comida para eles e ambos conversaram bastante. Não sabiam que a visita não era humana, e sim, angelical. Eles disseram sobre a boa nova de que, Sara, mesmo velha, teria o filho que tanto sonhara e desejara. Bendita hospitalidade!

Amados, isso lembra também o episódio da viúva de Sarepta, vamos recordar?

Bem, essa viúva que já tinha a dor de ter perdido seu marido era uma mulher pobre e que havia chegado a uma situação tão dramática em sua casa, que ela estava preparando a última refeição para si e seu único filho, e depois, esperar a morte. O profeta visita a casa dessa viúva e ironicamente ele pede algo para comer. Ela o recebe em sua casa e mesmo sem ter o que comer prepara um “lanchinho” pra ele. E o que ela recebe como favor e graça? Azeite, farinha, e a ressurreição de seu filho que havia morrido uma enfermidade grave. No coração dessa mulher havia espaço para abrigar um forasteiro. Em sua hospitalidade ela recebeu a promessa do Senhor. Essa história se encontra no livro de I Reis 17.9-24.

E o que dizer sobre os discípulos de Jesus registrado no evangelho de Lucas 24.13-35?
Eles estavam muito abalados e tristes pela morte de Jesus. Andavam mas eram uma andar pesaroso, sem esperança e sem alegria. De repente, um estranho aparece no meio do caminho e conversam com ele sobre os acontecimentos da morte de Jesus de Nazaré. Eles o convidam a entrar na casa para comer com eles, e no partir do pão, esse convidado se revela como o Senhor ressurreto.

Hoje nós vivemos em um mundo violento. As notícias sobre sequestros relâmpagos, assassinatos, espancamentos, estupros, assaltos tem se exacerbado diante de nossos olhos. Isso nos tornou pessoas mais receosas, desconfiadas e precavidas. Ao olhar para várias casas e vendo seus muros, grades, cercas elétricas e seguranças residenciais, parece que nosso lar se transformou em fortalezas e esconderijos. Não há quase ninguém que possa parar seu carro para dar carona a um estranho ou abrir a porta para alguém desconhecido. Isso com uma certa razão.
Temos medo.

Em nossa comunidade ou na igreja também temos medo. Medo de se abrir, de se expor, de não ser aceito, compreendido e de ser explorado; apesar que muito disso acontece mesmo em nossas igrejas. A igreja é o lugar da comunhão por excelência, infelizmente está se transformando em um lugar hostil onde não se pode confiar em pessoas para se expor o coração. Se alguém participa de algo, não se dá por inteiro, sempre achando que haverá alguém na espreita procurando uma oportunidade para ferir ou abusar.

Igreja que não é templo e paredes deve ser a igreja da comunhão e ter espaços para se manifestar a graça e o amor de Deus. Olhe para a sua igreja e veja se ela é uma igreja hospitaleira e agasalhadora de vidas. Na hostilidade da vida, os feridos procurarão saídas e escapes, a igreja deverá ser o local e o espaço para o acolhimento. A parábola do Bom Samaritano precisa urgentemente ser relida e entendida.

A igreja não deve julgar as pessoas pelo o que elas demonstram ser, deverá receber bem em suas casas ou em suas comunidades, abrindo o coração para acolher qualquer um e permitir que esse ambiente da Graça o faça experimentar transformações, mudanças e alteração de consciências. Qualquer um que for bem recebido terá confiança em se abrir sem medo e exporá seus temores causados pelas doenças de nosso século.

O quero dizer é que eu e você podemos ser como “anjos” e profetas que levam a boa nova. E também seguindo sempre a hospitalidade, afinal: “Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber, acolheram anjos”. Hebreus 13:2

Que as nossas experiências com Deus sejam dramáticas e profundas. Que Deus tire de nós as pobrezas do coração.
Pensem nisso!
Fábio Menen

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O MOVIMENTO EVANGÉLICO ESTÁ CHEGANDO AO FIM - RICARDO GONDIM


Ricardo Gondim, um dos maiores pensadores cristãos do país, analisa a Igreja contemporânea e antecipa uma guinada na espiritualidade

O século 20 assistiu ao alvorecer, à consolidação, ao apogeu e ao desgaste do movimento evangélico, um ciclo histórico que está prestes a se encerrar. O que virá depois é uma incógnita – contudo, é possível vislumbrar que, passada a crise de pragmatismo que assola a Igreja deste início do terceiro milênio, a espiritualidade será experimentada de maneira mais viva e relacional com Deus. A avaliação é do pastor Ricardo Gondim Rodrigues, um dos mais respeitados pensadores evangélicos do país. Para ele, a derrocada do evangelicalismo não é fruto apenas do natural desgaste de 100 anos, mas principalmente de posturas e práticas que o afastaram da genuína fé bíblica. “Estamos pregando um Evangelho de resultados, onde o que interessa menos é o próprio significado da conversão”, avalia.
Pastor, escritor e conferencista, Gondim, aos 50 anos de idade, carrega uma bagagem teológica forjada por muitas experiências de vida e de ministério. Filho de um preso político da ditadura militar, ele, desde cedo, se interessou em entender o mundo à sua volta. A ponto de ter se convertido ao Evangelho sozinho, lendo uma Bíblia presenteada por um colega de escola em Fortaleza (CE), sua cidade natal. Foi lá que ele começou sua trajetória de fé, primeiro na Igreja Presbiteriana – de onde foi expulso ao contar que recebera o batismo com o Espírito Santo –, e depois na Assembléia de Deus, na qual iniciou seu ministério de pregador. Mas acabou decepcionado com o excessivo legalismo que, àquela altura, dominava não só a Assembléia de Deus, como muitas outras denominações.Rebeldia? Não, inconformismo. “Eu estava em busca de uma fé mais livre de jugos humanos”, lembra. Acabou encontrando. Depois de passar muitos anos estudando e trabalhando nos Estados Unidos, Gondim assumiu o pastorado da Missão Betesda, lá mesmo em Fortaleza, em 1982.
Aquele trabalho, com um perfil alternativo às grandes denominações, acabou dando origem à Assembléia de Deus Betesda, igreja que hoje tem sede em São Paulo e mais de 18 mil membros. Ao lado da mulher, a também pastora, Sílvia Gerusa, com quem tem três filhos, Gondim capitaneia um bem-sucedido ministério que tem sido referência em todo o Brasil e até no exterior. Ele não faz muitas concessões a modelos eclesiásticos e institucionalizações: “Nossa ênfase tem de ser bíblica. Apenas tratar dos conteúdos do Evangelho”, resume. Como sugere o título de um de seus livros, Artesãos de uma nova história, Ricardo Gondim acredita que a fé evangélica começa a trilhar, hoje, um outro caminho – “O pragmatismo da fé de resultados vai dar lugar a uma fé mais afetiva, mais íntima com Deus”. Mas não será um tempo de valorização do bem-estar e do narcisismo espiritual, como vemos hoje. “Ao contrário”, acredita, “estando mais próximos do coração do Senhor, estaremos também mais atentos ao seu clamor pela humanidade que sofre”.
O pastor Gondim atendeu a reportagem de ECLÉSIA durante o 5º Congresso de Reflexão e Espiritualidade, em Águas de Lindóia (SP), evento promovido pela Doxa, um dos braços da Igreja Betesda. Ali, falou-se muito sobre a Igreja contemporânea. A análise não é das mais animadoras. “A conversão, experiência básica da vida cristã, está muito difusa. Quase não se fala mais em ‘nascer de novo’”, avalia Gondim.
Confira a íntegra da entrevista:
ECLÉSIA – Na sua opinião, qual é a situação da Igreja Evangélica brasileira, hoje?
RICARDO GONDIM -
É engraçado porque, mesmo com a Igreja brasileira atravessando uma tremenda crise de conteúdos, a gente vive um momento de ufanismo evangélico. A Igreja Evangélica brasileira tem uma grande dificuldade de examinar a si mesma, porque está muito entusiasmada com seu próprio crescimento. Mas é fácil constatar que o Evangelho tem sido pregado e vivido de uma maneira extremamente pragmática, utilitária. Que Evangelho estamos pregando? É um Evangelho de resultados, onde o que interessa menos é o próprio significado da conversão. Isso é muito grave. O significado da expressão “nascer de novo” está muito difuso dentro das nossas igrejas. O que é nascer de novo? Esta experiência basilar foi diminuída a um simples rito comportamental de levantar a mão, vir à frente, seguir cinco ou seis “leis espirituais” – confesse isso, declare aquilo, aja deste modo. Ou seja, virou um credo. E um credo ralo. O conceito de nascer de novo está muito fragilizado, além de se falar pouco nele. E quando se fala, não sabemos nem a que estamos nos referindo. O movimento evangélico, tal como hoje o conhecemos, está próximo do seu fim.
Como assim?
Os sinais desse esgotamento são claros. Um deles é a fragilidade teológica e doutrinária dos adeptos do movimento evangelical nas bases. Se você perguntar a um membro de igreja evangélica, hoje, por que é evangélico, ele vai responder com um chavão ou relatando uma experiência mística, metafísica, sem qualquer conteúdo básico, exegético, hermenêutico. E essa experiência mística caberia muito bem em qualquer outra vivência religiosa, do budismo ao espiritismo. Esse esvaziamento teológico nas bases demonstra que a longevidade do movimento evangélico está comprometida.
O que o senhor chama de “movimento evangelical”?
O evangelicalismo existe desde o nascimento do chamado fundamentalismo, que é um movimento que aconteceu primordialmente nos Estados Unidos, no fim do século 19. Ele foi uma reação ao liberalismo teológico então em voga, fruto da alta crítica alemã, que estava influenciando tremendamente o cristianismo ocidental. As igrejas resolveram reagir a isso com a reafirmação dos postulados básicos da fé cristã, aqueles postulados inegociáveis – o nascimento virginal de Jesus, a inerrância das Escrituras, a ressurreição corpórea de Cristo e a sua volta. Era uma reação de forte cunho fundamentalista e escatológico.
Esse também foi o embrião do pentecostalismo, não?
Exatamente. O pentecostalismo é filho do movimento fundamentalista, que teve como um de seus expoentes o pastor americano Billy Graham. Esse movimento chega ao seu apogeu no Pacto de Lausanne [N. da redação: este pacto foi firmado na Conferência Internacional de Lausanne, na Suíça, em 1974, reunindo líderes evangélicos de todo o mundo]. Ali, ele chegou à sua força maior, um período que corresponde também à explosão numérica do movimento pentecostal. O pentecostalismo, até então visto com reservas, foi inclusive, admitido como parceiro do evangelicalismo. Lausanne foi fundamental para o diálogo entre os diversos acampamentos que estão debaixo dessa enorme tenda chamada evangelicalismo.
Qual é o legado do evangelicalismo?
Eu não diminuo nem subestimo o movimento evangelical. Ele foi uma expressão espiritual linda, que democratizou o acesso a Deus. Sem dúvida, trata-se do maior fenômeno religioso do século 20 e firmou os paradigmas com os quais nós temos convivido nestes últimos 100 anos. Mas, como outros movimentos espirituais, ele perdeu o fôlego. Isso é próprio do processo histórico. Mas ele está acabando, com certeza. O movimento evangélico, tal como o conhecemos, está completando o seu ciclo de existência. Esse esvaziamento se deu pela própria força pragmática do movimento.
O que virá depois?
Nós não temos ainda uma resposta clara para o que vai acontecer. Talvez essa resposta não seja de competência da nossa geração. Mas já há o alvorecer de alguma coisa nova, um movimento de refluxo deste Evangelho pragmático que temos vivido, que busca resultados e dividendos. E essa coisa nova aponta no caminho de uma espiritualidade mais viva, de um relacionamento mais íntimo com Deus. Uma abordagem mais humana das Escrituras – valores espirituais como ternura e afeto em relação ao Senhor, uma noção mais singela da paternidade divina. Alguns pensadores estão nessa direção. Gente como Osmar Ludovico, Valdir Steuernagel, Ricardo Barbosa de Sousa, que enfatizam a necessidade da retomada de uma espiritualidade do coração, um cristianismo de mais afeto com Deus. Deixar de lado a técnica, o “como fazer”, e entrar mais num relacionamento com Deus sem visar desdobramentos práticos. Há um clamor no nosso país por uma espiritualidade que nos traga de volta uma relacionalidade maior com o Senhor.
Mas, esse Evangelho de busca por intimidade com Deus não pode levar a uma espécie de narcisismo espiritual? Hoje, boa parte dos livros, das pregações e até das músicas evangélicas priorizam a satisfação pessoal...
Diria que não. Isso pode perfeitamente ser conciliado com o Evangelho “do outro”, ou seja, dos relacionamentos horizontais. Quanto mais nos aproximarmos do coração de Deus, mais nós sentiremos o que ele sente, mais empáticos nos tornaremos. E maior será o amor que teremos para com o próximo. Nós nos tornaremos identificados com o pulsar do coração de Deus para com a humanidade sofrida. A evangelização deixará de ser uma agenda institucional e passará a ser uma identidade do nosso coração com o coração de Deus.
Na última década, observamos o fenômeno da institucionalização das igrejas, levando princípios corporativos para os ministérios cristãos. O que o senhor pensa dos modelos de gestão eclesiástica e das estratégias para o crescimento das igrejas?
Olha, eu vejo com algum receio essa multiplicação de modelos eclesiais, importados, na maioria das vezes, dos Estados Unidos. Não acredito que a resposta para a Igreja seja gerencial. A nossa capacidade de gerenciar programas, de estabelecer o que seja uma boa visão, uma boa missão, não é uma panacéia para os males da Igreja contemporânea. Eu ainda acredito que é o Senhor que vai nos dar o crescimento, acrescentando o número daqueles que vão sendo salvos. Eu vejo que muitos pastores se escondem atrás de um pacote, achando que é o grande truque que vai resolver o problema de relevância de suas igrejas e ministérios. Eu, às vezes, tenho medo de a gente embarcar em pacotes que são apresentados como modelo de sucesso, quando, muitas vezes, é aquela igreja que está lá na favela, lá na cidadezinha pobre, sem sinais de prosperidade e sucesso, que está cumprindo os desígnios de Deus. O problema é que estamos muito proselitistas e pouco evangelizadores. Haja vista a ênfase nos nossos programas de mídia. É muito mais propaganda das instituições do que o ensino dos conteúdos do Evangelho. Usa-se a mídia para fazer propaganda institucional, ou para enaltecer os dirigentes de igrejas. Isso é uma decadência.
O senhor é um líder evangélico respeitado nacionalmente. Como faz para evitar a institucionalização de seu ministério?
Nós, na Betesda, temos um zelo muito cuidadoso em ser uma igreja da Palavra de Deus, que se concentra em colocar a sua ênfase na Bíblia, na exposição clara das Escrituras como elas são. E a nossa igreja tem crescido, sim, até mais do que se espera de uma igreja com esta postura – mas nós não fazemos da busca por este crescimento a prioridade de nossas ações. Crescer por crescer não é a nossa proposta. Então, as pessoas que temos atraído para o Evangelho vêm exatamente em busca disso, deste conteúdo bíblico, uma coisa que fuja do Evangelho de resultados que temos visto por aí. Alguém já disse que se você montar uma igreja tocando rock, terá de tocar rock ali a vida inteira, senão as pessoas que foram atraídas por isso vão embora. Se você montar uma igreja expulsando demônios, vai ter de continuar expulsando demônios sempre, porque senão, no dia em que parar de fazer isso, as pessoas vão embora. Então, se você monta uma igreja pregando a Palavra de Deus, terá de continuar fazendo isso sempre – se parar de pregar, as pessoas vão embora, porque a pregação bíblica é o seu carro-chefe. Dentre estas muitas opções, a minha é a Palavra de Deus. Eu acredito que os conteúdos do Evangelho precisam ser explicitados.
Existe uma terceira via, uma solução para os problemas advindos do próprio crescimento das igrejas, como a perda da dimensão comunitária?
Existe, e é a dos grupos relacionais. Este é um caminho sem retorno que a Igreja terá de trilhar, se quiser preservar sua identidade cristã. É o caminho das casas, das células familiares, da koinonia, onde o relacionamento se dá olho no olho. Os pequenos grupos são uma alternativa saudável aos efeitos desagregadores do crescimento. Eles são a solução para o cristianismo ocidental.
Já que um dos motivos de seu rompimento com a Assembléia de Deus foi sua crítica ao legalismo, como o senhor vê esta questão no segmento evangélico hoje? Houve uma evolução?
Em algumas áreas, sim. Nessa área de usos e costumes, o avanço foi perceptível, e não só numa ou outra denominação. Houve uma revolução também na questão do legalismo litúrgico – nossos cultos hoje são muito mais leves, espontâneos, menos estereotipados. Antigamente, um culto presbiteriano, por exemplo, era exatamente igual em igrejas de norte a sul do país. Hoje, há uma liberdade muito maior nesse sentido. Por outro lado, existem atitudes legalistas que transcendem essa coisa de roupa, de práticas. O legalismo não se manifesta apenas na rigidez de costumes – ele está presente, também, quando abandonamos os critérios da fé e acreditamos que as nossas obras, de alguma maneira, nos dão cacife diante de Deus. Hoje, existe um legalismo tão pernicioso quanto aquele de outrora, que regulava tamanho de roupa ou corte de cabelo. É o legalismo que coloca na corrente de oração semanal, ou na oferta, uma responsabilidade de aplacar Deus com nossos sacrifícios. Vamos agradar ao Senhor desta maneira, com tal prática, ou dando mais dinheiro – quem sabe, vamos ganhar o favor de Deus se pudermos louvá-lo com o melhor louvor que a gente puder fazer.
A liberalidade quanto a usos, costumes e procedimentos não tornou os crentes mais “mundanos”?
Não, não, não. O que nos faz parecer com o mundo não é o jeito como a gente se veste, ou a maneira como a gente fala, ou que tipo de lugares que freqüentamos. Estamos, sim, mais mundanos, mas não porque a gente deixou de ser legalista. O que faz a gente ser parecido com o mundo são os conteúdos do nosso caráter, as opções que fazemos – se dizemos “sim” ou “não” a determinadas oportunidades que surgem. Os critérios éticos da Igreja é que estão parecidos demais com os do mundo. Nós, hoje, temos uma Igreja pragmática, onde o “dar certo” é mais importante do que o “estar certo”. Hoje, o parâmetro da bênção de Deus é a prosperidade. Então, se você está ganhando dinheiro, se a sua empresa vai indo bem, então é sinal de que a bênção de Deus está sobre você.
Que tipo de gente está sendo produzida pela teologia da prosperidade? Ela está produzindo uma enorme quantidade de pessoas decepcionadas com a Igreja, com Deus. Isso funciona com a mesma lógica do jogo de azar – milhões apostam, mas apenas um grupo mínimo acerta.
Se é assim, por que tanta gente continua acreditando nessa teologia?
Mas é esse mínimo de felizardos que dá plausibilidade ao sistema. Eu vou para um culto com cinco mil pessoas. Aí, digo assim: “Aqui há cem pessoas que vão ofertar mil reais, porque um anjo me disse que, nesta semana, elas serão abençoadas”. Ora, num grupo de cinco mil, pela própria lógica, eu tenho três ou quatro pessoas que, de fato, vão conseguir algum tipo de sucesso de qualquer jeito – e isso, independente de ter ido ao culto ou não. É uma questão de estatística. Mas, esses três ou quatro, amanhã, vão dar testemunho e dizer no programa de TV que a vida deles mudou porque foram ao culto e participaram da oração forte etc e tal. Ora, quando eu pedir, semana que vem, mais R$ 1 mil para cem pessoas, será mais fácil ainda – afinal, vou ter resultados para mostrar. E mesmo para aqueles que deram e não receberam bênção nenhuma, há explicação: eles deram alguma brecha ao inimigo, ou não tiveram fé. Ou, então, não deram de bom grado, e, afinal de contas, Deus ama ao que dá com alegria. Ainda dá para transferir a culpa...
Mas vamos chegar a um ponto em que as pessoas vão perceber que nada lhes acontece e acabar desistindo dessas apostas com Deus, não?
E você acha que, um dia, as loterias vão acabar? Amanhã mesmo uma mega-sena dessas vai sortear 35 milhões de reais. O apostador não leva em conta que apenas uma única pessoa, ou algumas poucas, serão premiadas. Se um ganha, faz-se aquele alarde – então, o sujeito pensa “puxa vida, é a minha chance”. Por isso é que, quando as pessoas vão jogar na loteria, usam até uma terminologia religiosa. Elas dizem que vão fazer uma “fezinha”. A multidão vai na ilusão. Quando o pastor investe na mídia e leva lá pessoas que dão esses testemunhos, a ilusão é retroalimentada.
A Igreja Evangélica no Brasil foi anunciada, de maneira ufanista, como o celeiro missionário do século 21. Hoje, como ela é vista no exterior?
Eu acho que aquele furor missionário de 20, 30 anos atrás, acabou nos levando a uma situação perigosa. Houve uma febre missionária tão grande, que muita gente foi lançada ao campo sem o devido preparo missiológico. E isso trouxe problemas para o missionário, para a igreja que o enviou e, mais ainda, no campo. Eu lamento dizer que o testemunho de diversos missionários e pastores que foram do Brasil para o exterior é muito feio em países como Portugal. Hoje, a Igreja Evangélica portuguesa tornou-se refratária à presença missionária brasileira.
Por quê?
Por causa do transporte do legalismo evangélico brasileiro para a cultura de lá. Isso não existe. E, segundo, por causa desses modismos que aqui no Brasil são tolerados, mas que, na cultura européia, são vistos de maneira muito suspeita – esses shows de fé, essas demonstrações grandiloqüentes de suposto poder divino. E isso não é tudo. Estive na Índia recentemente e ouvi muitas queixas contra os crentes brasileiros. Há pastores daqui que vão para lá, fotografam grandes eventos promovidos pela Igreja indiana e voltam para cá dizendo que tudo foi promovido por eles. E ainda criam uma paranóia de perseguição que na verdade não existe. A Índia é um país democrático, pluralista. Eles criam dificuldades para vender facilidades aqui.
A matriz teológica adotada aqui é americana. A crise de conteúdos que afeta a Igreja brasileira tem paralelo com a dos Estados Unidos?
Não diria paralelo, porque a crise lá é de outra natureza. A Igreja Evangélica dos Estados Unidos está excessivamente ideologizada. Desde o advento da eleição do presidente George W.Bush, há quatro anos, a ideologia da direita republicana cooptou a Igreja Evangélica para o seu lado. Isso se tornou mais agudo ainda depois do 11 de Setembro. Houve um recrudescimento do ensimesmamento da Igreja. E os crentes têm lá um problema muito sério de etnocentrismo – eles dialogam muito pouco com outros setores da sociedade. A Igreja americana acredita no messianismo do presidente Bush. Hoje, existe um patrulhamento ideológico tão grande que, se um crente disser que não vota em George Bush, ele é execrado como um herege. A coisa é neste nível. [N. da redação: esta entrevista foi concedida antes da eleição presidencial nos EUA].
Por que a Igreja americana alinhou-se ao governo Bush?
A direita republicana nos EUA identificou que a Igreja Evangélica tem três grandes plataformas, três bandeiras conservadoras que ela faz questão de empunhar: oração nas escolas, batalha contra o aborto e, a mais recente, a luta contra o avanço do homossexualismo. Então, o Partido Republicano, muito espertamente, capitalizou o discurso de Bush em cima dessas coisas – e isso encanta, alucina o crente americano: ter um presidente que defende essas três bandeiras. Infelizmente, a Igreja lá tem deixado de lado outras bandeiras que deveria empunhar, como a defesa da justiça, dos direitos humanos ou a preservação do meio ambiente. O que nos inquieta é ver que os cristãos americanos não estão cobrando isso do presidente Bush. Não estão cobrando que ele assine o Protocolo de Quioto, um instrumento de defesa ambiental mundial que o atual governo ignorou. Não estão cobrando a mesma postura adotada no Iraque em relação, por exemplo, ao Haiti, que é um país a 300 quilômetros da Flórida e que está literalmente se esvaindo. Se o objetivo da operação no Iraque foi mesmo de depor um tirano e estabelecer uma democracia, levando ajuda humanitária, por que não faz isso também no Haiti? A falta de critérios é total. Não entendo como a Igreja se alia a um partido que defende o uso de armas, que é simpático à escalada armamentista dentro da própria população.
Há pouco tempo, seu artigo Estou cansado, publicado na revista Ultimato, causou grande repercussão no segmento evangélico. O senhor está cansado da Igreja?
Não, não! Eu não estou cansado da Igreja – pelo contrário, estou entusiasmado e esperançoso de que um novo tempo vai surgir para a Igreja Evangélica no Brasil. É óbvio que, no meio de uma situação de crise como a atual, a gente acaba ficando meio chateado e entristecido. Eu fiquei impressionado com a repercussão daquele artigo. Recebi milhares de mensagens. Há um clamor de crentes, pastores e líderes dizendo “chega!”

Carlos Fernandesé Editor e Redator da revista Eclésia

domingo, 15 de novembro de 2009

CLIP - O QUE NA VERDADE SOMOS

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Com muitas novidades e surpresas, o Fruto Sagrado se prepara para completar duas décadas de muito Rock e atitude positiva. Uma das grandes surpresas é o anúncio oficial de que a banda realmente não está mais interessada em se veicular com qualquer gravadora, porém, este novo álbum não será lançado de forma independente, pois a banda está lançando um selo e consequentemente uma gravadora que irá apoiar e lançar novas bandas da cena Rock Cristã Independente brasileira. Está empreitada idealista começará com este novo trabalho do Fruto e em seguida o primeiro da banda Passos.


Todo o projeto “Fruto Sagrado 20 Anos” é mais do que este novo álbum e a gravadora, além disso a banda divulgará seu novo site oficial (que já está no ar a meses em um endereço secreto) em breve, além de iniciar no site www.FrutoSagrado.org um blog que irá deixar os fãs a par de tudo que está acontecendo na gravação do novo trabalho com vídeos, fotos e textos. E esse é só o começo, porque as surpresas continuam, em breve serão divulgados mais novidades.


Este novo álbum estava sendo feito em sigilo por motivos contratuais, a banda ainda não tinha a liberação para divulgar e fazer certos anúncios na mídia e nem gostaria de fazer nada precipitadamente ou sem certeza, mas indo contra todos os boatos e “incertezas” que rondavam a mente dos fãs a banda já está bem adiantada no estúdio. Com toda a bateria já gravada, praticamente todo o teclado e o baixo prontos também o Fruto pretende lançar este novo projeto em no máximo 2 meses. Parece pouco, mas o novo álbum já estava sendo preparado a muito tempo, pois além desse adiantamento na gravação, a banda idealizou e pré-produziu o trabalho há muitos meses atrás, somando ainda dois meses de ensaios quase que diários com toda a banda, além da idealização, pré-produção e gravação do primeiro álbum da banda Passos que também já está quase pronto.


Além da formação oficial da banda com Bene Maldonado produzindo e nas guitarras, Sylas Jr. produzindo e na bateria e Marcão (não, o Marcão jamais deixou a banda) nos vocais, a banda conta ainda com Daniel Tinoco (toca também com Pamela e Passos) nos teclados e Marquinhos no baixo. Os dois músicos, segundo Sylas, foram escolhidos por saber mesclar a técnica apurada com a simplicidade requerida em algumas faixas do novo álbum, com destaque para os teclados de Daniel que deram um novo ar as músicas.


O que pude ouvir no estúdio de gravação foi apenas um pouco do álbum, serão aproximadamente 15 faixas seguindo a mesma linha que o Fruto vem fazendo a anos, ou seja, sempre com um som diferente em cada álbum, mas sem deixar de ser Fruto Sagrado. A melodia soa como a união dos três últimos trabalhos com os efeitos do álbum “Na Contramão do Sistema”, porém, com muito mais sonorização e qualidade musical devido a clara evolução constante da banda. As letras são indiscutivelmente as melhores da história da banda, abordando todos os assuntos pertinentes de forma simples, inteligente e criativa, assim como a banda sempre fez.


Este é apenas o começo da comemoração dos 20 anos dessa banda que nasceu em São Gonçalo no Rio de Janeiro e hoje é uma das maiores da história do Brasil. A espera foi longa, mas está valendo a pena, então aguarde e fique de olho em FrutoSagrado.org para saber mais notícias em primeira mão, porque esse é só o começo.

Fonte: notícias gospel.

Fábio Menen

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A GERAÇÃO QUE DESAPRENDEU A AMAR




"E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará". São Mateus 24:12


Jesus no "sermão profético" apresentou sinais que antecederiam o seu retorno a Terra. Jesus disse que haveria muitos falsos cristos, falsos profetas, guerras, pestes, pragas e um abalo ecológico sem precendentes; na verdade, os últimos dias seriam dias de caos total.


Jesus também nos alertou sobre o esfriamento do amor. A exacerbação da iniquidade provocaria um efeito dramático: o enfraquecimento do amor.


Olhemos para o cenário mundial e para o cenário de indivíduos e constataremos esse fato.
O que Jesus disse não é para ser entendido como probabilidade; é fato! Na medida do crescimento de barbáries e iniquidades, o amor não encotraria formas de sobrevivência diante de cenários tão fúnebres de fraternidade, solidariedade e caridades.


O crescimento da miséria social, a corrupção homicida, a banalização do ser humano, narcisismos, individualismo adoecido (ego), violência em lares e familias atestam a veracidade do que Jesus disse.


Não há uma evolução, e sim, involuções.


Somos uma geração que está desaprendendo a amar.


E digo amar não apenas os que são de nossa parentela. Isso ainda é um amor institual. É amar os que nos amam. Apesar que o amor familiar também está comprometido.


Seria a falência do amor? Valeria investir em vidas e relações diante da crescente falência de amores?


Penso que não.


Jesus disse que seria assim, mas não nos estimula a preguiça e a passividade diante de tais acontecimentos.


Pelo contrário, Ele nos ensina que nessa era de morte de amores, amar o inimigo, dar pão ao faminto, água ao sedento, abrigo ao forasteiro é ser a força contrária a sentenças de falências do amor.


I Coríntios 13 continua sendo o texto excelente sobre o amor. Ler esse texto também nos faz pensar sobre como estamos distantes do ideal Divino para amar. Quando você ler esse texto seu coração não aperta?


Lemos que o amor é paciente, é humilde, bondoso, não exacerbadamente ciumento, altruísta, porta-se de maneira conveniente, procura atender não seus próprios interesses e muito mais.


Esse amor que Paulo apresenta é que vem diminuindo constantemente. Diminui porque é alimentado por pessoas individualistas-narcisistas e infelizmente e com muito pesar, dizer que também ocorre dentro de templos evangélicos. Pessoas preocupadas com o seu bem estar, pois o que importa sou eu, os meu desejos, os meus sonhos, os meus interesses, as minhas realizações e necessidades. Dane-se o próximo.


Estou enganado? Não! Olhe para o fim dos cultos cristãos e veja se aquele grupo que vai para a pizzaria convida o irmão(a) que não tem como pagar, se são convidados mesmo! Vejam e percebam que a maioria não está disposta a praticar compaixão pelas pessoas aos quais dizem: "a paz do Senhor, querido". Como ajudar, ser cristão verdadeiro, se repudiam aproximações com vidas carentes, adoecidas e que precisam de companhias?


O reavivamento que a Igreja necessita hoje, pode crer, é o do amor. Esse sim precisa ser reacendido em nós.


Gente boa de Deus, precisamos de uma ação de Deus que penetre na raíz do nosso coração transformando radicalmente nossas vidas.

Estou cansado de discursos vazios, decorados e de panacéias religiosas. Não suporto mais tantas injustiças, misérias, imoralidades e pecados.


Que Deus nos preserve fiéis primeiramente à Ele e Sua palavra. Nos preserve também para agasalhar no coração o desejo de amar sempre. Que não sejam apenas lindas palavras de amor, mas de qualidades de uma vida limpa e desejosa de ofertar graças.


Meu Deus! Até eu sinto que o amor que esfriar em mim...quantas vezes deixei meu eu vazar e dar lugar à ira, ódio e amargura!


"O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". Romanos 5:5


"Senhor, não nos deixe com medo de amar, sopra sobre nós espírito de graça e amor. Não nos permita empedrar rancorosos, amargurados, inafetivos e doentes. Penetra em nosso ser e muda nosso coração. Nos faça amar. Amar a todos, indiscriminadamente e sem preconceitos. Nos ensina a amar como o Senhor mesmo nos ama. Confessamos que estamos distantes desse ideal do amor, mas Teu Espírito em nós pode nos quebrantar e constranger-nos. Assim o mundo poderá ver que amamos de um modo extraordinário e crerá que o Senhor é Deus; permita que seja assim Pai, em nome de Jesus".

Fábio Menen

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

UMA QUESTÃO DE IMAGEM APENAS


Autênticidade! Palavra que pode ser entendido como fidedigno, verdadeiro, sem fingimento e idoneidade do ser.
Infelizmente nem tudo o que parece, é.
É a crise da autenticidade.
Você é ensinado a fazer tudo de acordo com as conveniências, aceita tudo dentro dos parâmetros da sociedade, molda-se dentro dos containers institucionais; enfim, um grande amador da vida, sem possibilidade de expressão.
Nada mais vivo e libertador saber sua própria singularidade.
Muitos não desejam autenticidade pois olhariam para aquilo que são e veriam coisas horríveis. Se é assim, melhor estar camuflado e ser camaleônico, não se vendo e não permitindo a exposição de sua real natureza não autêntica. Estranhamente, esse mesmo ser deseja ser "alguém" para outros, mesmo não sendo nada. Que adianta ter uma "embalagem" atrativa, sendo o conteúdo amargo?
A pergunta é: Quem é você? O que se esconde por detrás de sua aparência? Você é o que demostra a todos o que parece ser?
Ou talvez apenas um escravo do sistema religioso, institucional e social que se impôe sobre você!?
É, temos que viver em um mundo de máscaras. O que me chama atenção é a malignidade atraente de se usar máscaras, de camuflar o ser.
É mais fácil não ser, pois ser requer esforço, sacrifício e nos faz questionar sempre; ninguém ou a maioria não deseja isso, preferem ser escravos da ditadura hodierna.
Desejam serem originais mas caem na mesmice e no ridículo.
Deus nos chama para sermos Nele. Que adianta ter e não ser?
Que adianta ter imagens e projeções exteriores se o ser está estragado e moribundo. Sepulcro caiado!!!
Deus nos ensina que todos somos vasos de barro. E vaso, pode quebrar. Apenas um descuido e...pedaços no chão. Mas esse vaso que se quebrou, dele Deus pode fazê-lo um novo vaso.
Deus nos chama de vasos de barro.
Por que você deseja ser vaso de ouro sendo vaso de barro???
A Graça de Deus não nos faz vasos de ouro mas de barro mesmo; nos torna autênticos, não vende uma imagem errada sobre nós. Mesmo se eu "quebrar" ele não vai me polir, pelo contrário, irá me refazer dos cacos.
Como é bom ser barro. Autenticidade!
O reino de Deus está dentro em nós.
Um pequeno texto, mas pensem nisso.
Fábio Menen

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DC TALK - WHAT IF I STUMBLE


E aí gente boa de Deus!
Posto aqui mais uma banda que merece ser apreciada pelos que gostam de boas músicas. O DC TALK trabalha temáticas espirituais fortíssimas; letras que fazem você questionar sua postura cristã/jovem no mundo.
No início o Dc Talk tocava apenas rap, depois conciliou rap e pop rock. Isto sem deixar de serem profundos em seus questionamentos e posições cristãs.
Atualmente cada componente segue com seus trabalhos solos. Apenas Michael Tait segue com a banda Tait.
Não posso deixar de postar uma de suas letras que muito fala comigo. É a canção WHAT IF I STUMBLE ( E se eu tropeçar?), fica postado a tradução.
Se não conhecem esse grupo aposto que vocês irão gostar.
WHAT IF I STUMBLE? (E SE EU TROPEÇAR?)

Isto é pelas pessoas?
Isto é pelo Senhor?
Eu simplesmente canto pelo que devo fazer
Você pode misturá-los, meu conflito ainda permanece
Por santidade esta chamando, no meio do tribunal da fama
Pois eu vejo confiança nos olhos deles
Apesar do céu estar caindo
Eles precisam do seu Amor em suas vidas
A conciliação chama
E se eu tropeçar, e se eu cair?
E se eu peder meu passo e fizer todos nós de idiotas?
O amor continuará?
Quando meu caminhar se tornar um engatinhar
Mas se eu tropeçar, e se eu cair?
Mas se eu tropeçar, e se eu cair?
Você nunca se livrará do calor disso tudo
Mas se eu tropeçar, e se eu cair?
Todos tem de engatinhar e você sabe disso

Pai por favor me perdoe, pois não posso compor
O medo que vive dentro de mim o modo como ele cresce
Se o conflito deve existir no caminho que me criou
Porque temo que minhas falhas
Irão deixar uma cicatriz mortal?

Eles vêem o medo em meus olhos?
São eles tão reveladores?
Desta vez eu não posso disfarçar
Toda dúvida que sinto
Você está contra o muro, prestes a cair

Eu ouço você sussurar meu nome, você diz
Meu amor por você nunca mudará, nunca mudará

Mas se eu tropeçar?
Mas se eu tropeçar?
E se eu cair?
Você nunca se livrarádo calor disso tudo
Mas se eu tropeçar, e se eu cair?
Você é meu conforto, e meu Deus
Um abraço,
Fábio Menen

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ENTREVISTA II - JOÃO ALEXANDRE



João Alexandre Silveira nasceu em 29/9/64. É casado com Tirza, com quem tem um filho, Felipe. João tem sido um profeta da música evangélica brasileira. Suas composições, sempre comprometidas com a Palavra e com a realidade, tanto social, política, quanto religiosa (e principalmente evangélica - triste realidade) são um alento em meio a tanta superficialidade e falta de criatividade e brasilidade em nosso meio musical.

Abaixo da entrevista, segue também uma carta enviada pelo João, em Dezembro, para o site www.crerepensar.com.br (Entrevista feita por José Barbosa Junior).


CRER E PENSAR: João, seu novo CD, “É Proibido Pensar”, mal foi lançado e já virou comentário nacional, por causa da faixa-título e de um vídeo que faz sucesso na internet. Você esperava essa repercussão toda?

JOÃO ALEXANDRE: Esperava, mas nem tanto assim!
Minha música foi composta, intencionalmente, com todas as frases em letras minúsculas e as imagens do vídeo colocado no YOUTUBE, criadas por um internauta, por sua própria conta e risco, transformaram as frases em letras maiúsculas no ouvido das pessoas, por assim dizer, acirrando e atiçando uma discussão que já vem de muito tempo, inclusive em sites como o seu, CRER E PENSAR, entre outros! Até quem não é “evangélico”, acabou assimilando a intenção da música por causa do vídeo e percebendo que nem todos os cristãos são condescendentes com tudo o que lhes é pregado nas igrejas pelo Brasil afora, portanto não sei se ele (o vídeo) foi ruim, acho que não!! Digo isso, porque está cada vez mais difícil dizer que os evangélicos são interdenominacionais, já que pregamos evangelhos diferentes, é ou não é? Penso que, se alguém tem que fazer críticas à Igreja, que seja ela mesma, certo? Trabalho com Música há mais de 25 anos e nunca gastei dinheiro com divulgação, raramente faço lançamentos de meus CDs, sempre foi no boca a boca mesmo, pessoas que indicam meu trabalho pra outras pessoas! Sendo assim, muita gente que nasceu, digamos, de 20 anos pra cá e que convive diariamente com toda mudança imposta no cenário cristão brasileiro desde então, acaba nem percebendo, no seu dia a dia, o quanto a MÍDIA, principalmente a MÍDIA cristã (rádios, televisões e a própria INTERNET) nos transforma em reféns, subjugando, além dos nossos ouvidos, também a nossa mentalidade! As críticas que recebo, normalmente são distorcidas, desfocadas e desassociadas de meu trabalho com um todo, já que, quem realmente me conhece de perto e conhece minha trajetória, sabe que não componho só músicas desse tipo, muito menos sou membro ou “fundador” de algum movimento revolucionário anticristão que visa “dividir” a Igreja de Cristo, sou só um cristão músico! Assim como um espelho, acho que essa música acabou por refletir especificamente em cada um, o comportamento da própria Igreja, da qual todos nós fazemos parte e, convenhamos, ver a própria imagem refletida agrada a alguns mas desagrada a outros, fazer o quê???! Quando digo comportamento, me refiro aos desvios causados por ministrações malucas, associadas à distorções na pregação do evangelho, que, ao invés de trazer ao homem a Graça de Deus e o perdão incondicional para seus pecados, acabam por restringir o Todo Poderoso a “gente que faz”, mediante negociações com o Céus, como se isso fosse possível! Se as outras canções que compus, CORAÇÃO DE PEDRA e TUDO É VAIDADE, não menos sutis e confrontadoras do que esta, fossem gravadas agora, seria a mesma coisa, ainda mais associadas a um vídeo, um estardalhaço total!

CRER E PENSAR: Você já trouxe, em outras canções, críticas ao modelo de igreja que percebemos crescer no Brasil (“Tudo é Vaidade”, “Coração de Pedra”, “Em Nome da Justiça”). Há espaço para a música crítica e de denúncia no espaço “gospel” brasileiro?

JOÃO ALEXANDRE: Mais do que cantar o que as pessoas gostam de ouvir, é preciso cantar o que elas precisam ouvir! Músicas, não de açúcar, que adoçam os ouvidos, mas não mudam o coração e sim, música de sal, que entram pelos ouvidos, batem no coração, saem pela boca e temperam o mundo, conforme a ordem de Jesus! Quando minha mãe me mandava arrumar meu quarto, eu ficava louco de raiva, mas ela tinha razão! Assim acontece com qualquer crítica no sentido de tomarmos alguma atitude!

CRER E PENSAR: Quais são suas influências musicais? E quais pensadores cristãos você gosta de ler/ouvir?

JOÃO ALEXANDRE: Musicalmente, eu diria TAKE 6, Boca Livre, 14 Bis, Dori Caymi, Cezar Camargo Mariano, Leni Andrade, Bossa Nova em geral, Leonardo Gonçalves, Lenine, Céu na Boca, Carlinhos Veiga, Gladir Cabral, Stenio Marcius, Edilson Botelho, Kerr, Bolmilcar, Pimenta, Jorge Camargo, Gerson Borges, Estilo de Vida e por aí vai, mas gosto daqueles que têm uma veia brasileira, de preferência! Tem muita gente conhecida e desconhecida e seria uma lista interminável e injusta até,, já que ouço de tudo mesmo, até algumas verdadeiras porcarias que não citarei aqui, mas que me ajudam a fugir delas ao invés de copiá-las!!!! Mas, confesso que só ouço música quando preciso de referências, não vivo ouvindo música dia e noite não! Entre os pensadores, Francis Shaeffer, Henry Nowen, Russel Shedd, Ariovaldo Ramos, Caio Fábio, Ed René, Ricardo Gondim, Ricardo Barbosa, Bráulia Ribeiro, Philip Yancey, entre tantos outros e especialmente você, Júnior Barbosa, com incríveis e inteligentíssimos artigos colocados em seu site!!

CRER E PENSAR: É difícil ser um músico cristão realmente comprometido com a Palavra?

JOÃO ALEXANDRE: Se ele não for comprometido com Jesus, não é cristão, porque, assim como outras tantas atividades e profissões que existem, ele está sempre exposto às pessoas e à critica alheia! Colocarei a opinião do grande Abraham Laboriel, que faz parte do meu livro “ Músico: Profissão ou Ministério? “:

O Senhor repetidamente nos advertiu sobre os perigos do julgamento temerário. Não obstante nós continuamos a praticá-lo repetidamente. O trabalho de muitos músicos é bastante visível aos outros, seja ele um trabalho ao vivo ou gravação em estúdio. As pessoas que assistem tais músicos trabalhando chegam a pensar que estão em posição de julgá-los. Elas não estão. Estas pessoas são as mesmas que pensam saber quais ritmos são divinos e quais aqueles que não o são, quais progressões harmônicas vêm de Deus e quais vêm do Diabo, quais passos de dança que são corretos e quais os que são pecaminosos. O músico é responsável por sua própria conduta e será conhecido pelos seus frutos.

Não é de se surpreender que muitas pessoas tenham reservas quando se trata de ouvir as Boas Novas do amor de Deus. Aqueles que endureceram os seus corações contra o Evangelho, ou pior, contra o Evangelho o qual pensam ter ouvido, mas não ouviram, são bastante hostis à idéia de se relacionarem com qualquer “cristão”. Muito freqüentemente, estas pessoas aprendem mais sobre juízo do que propriamente o amor de Deus quando em contato com muitos cristãos.

Aprendi que sou sempre aceito na proporção em que amo de maneira genuína aqueles com quem convivo. Não tenho direito de fazer qualquer outra coisa. Algumas vezes as pessoas gracejam comigo — dizendo que não podem xingar ou contar as mesmas piadas que contariam se eu não estivesse por perto. Eu nunca disse a nenhum deles o que fazer. Mas por causa do amor deles por mim — e, creio eu, por causa da presença de Deus, que é gracioso em habitar em mim — minha presença, algumas vezes, constrange certas pessoas a não praticarem certas coisas. Tudo o que desejo ser é um servo genuíno e um amigo, assim como Deus me chamou a ser. Dito isso, estações de radio que tocam canções que com conteúdo explicitamente satânico, com espiritualidade Nova Era, com mensagens Hindu e Budistas, distanciam-se até mesmo da musica jazz instrumental que faça a menor menção de Deus ou de Jesus. Somos chamados a construir pontes, a derrubar os muros existentes entre nós e outras pessoas à medida que permanecemos fiéis ao Senhor que nos amou antes mesmo de O conhecermos.

CRER E PENSAR: Você tem valorizado, nos últimos CD's, compositores brasileiros que não estão na “mídia gospel”, como Stenio Marcius, Gladir Cabral, Edilson Botelho, que são compositores e poetas brilhantes. Na sua opinião, por que esses “feras” não são tão conhecidos?

JOÃO ALEXANDRE: Por causa do subproduto da mediocridade musical imposto no Brasil, dentro e fora do meio cristão! Assim como a comida, a bebida, as roupas, o carro, o emprego, a carreira, etc., música é uma questão de escolha, portanto, cada um tem a música que merece, é triste, mas verdadeiro! O único problema é que a Fé vem pelo ouvir, então, é bom não ouvir “qualquer” coisa pra não comprometer a nossa Fé, só isso!

CRER E PENSAR: Uma última pergunta: Afinal de contas: Quem poderá resolver nosso problema? Rsrs

JOÃO ALEXANDRE: A resposta é implícita, pois também cada um tem o Evangelho que merece!Particularmente, acho que serão os que pensam!!!“O meu povo padece porque lhe falta entendimento”“Amar a Deus de todo vosso coração e com todo vosso entendimento”A única coisa que nos difere dos outros animais é aquilo que insistimos em não usar: A razão.

CRER E PENSAR: Deixe um recado para os leitores do “Crer e Pensar”.

JOÃO ALEXANDRE: Pensem crendo e creiam pensando!!!

Abração apertado!! João Alexandre.

Letra da música É PROIBIDO PENSAR de João Alexandre.


Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições

A extravagância vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados
Com suas canções

Estar de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela que ainda guio o meu viver

Reconstruindo o que Jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei pisando na graça
Negociando com Deus

No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquês universal
Se apossando do céus

Estão distantes do trono, caçadores de Deus
Ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras
Pra nos escravizar.

É proibido pensar (5x)

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições

Meras repetições
É proibido pensar

Fábio Menen