domingo, 6 de junho de 2021

RESSURREIÇÃO! VOCÊ AINDA CRÊ?


    A morte gera temor e medo em muitos de nós. E não é por menos, ela, a morte, nos põe diante de nossa completa e total humanidade, expõe nossa impotência diante dela. Vemos que diante de várias lutas, dores, sofrimentos, angústias e enfermidades conseguimos nos reerguer, mas diante da morte não conseguimos, tantas vezes, nos levantar de novo. A morte é sempre dolorida, sempre traumática, principalmente quando perdemos alguém que amamos muito. 

    Na Bíblia, há vários personagens que viveram as dores do luto, da perda. Entre esses muitos, há uma mulher que conhecemos pelo nome "a viúva de Naim" (Lucas 7:11-17). Essa mulher já passara pela dor e sofrimento de ter que enterrar seu marido. Não deve ter sido fácil, ainda mais naquela época, estar sem o seu marido e tendo que, sozinha, criar seu filho. 

    Não temos informações sobre o que ocorrera na vida desse jovem para que ele morresse. Pode ter sido uma enfermidade. A cidade de Naim era localizado a sudeste de Nazaré. Essa família residia nessa região. 

    O texto diz que Jesus interrompe o cortejo fúnebre onde o corpo era colocado em um esquife, que era o caixão, provavelmente feito de madeira. Imagine a dor angustiante e o sofrimento dela, seu marido já se fora e, agora, seu único filho. A dor era indizível e morria ali também todas as esperanças em seu coração de dias melhores apenas de lágrimas e da insuportabilidade da vida. 

    Para a psicanálise existe a diferenciação entre luto e melancolia. De uma maneira resumida o luto é um perído transitório do sujeito, da pessoa, onde todos os que perdem alguém deve passar pelo luto, elaborá-lo até a finalização dele. Já a melancolia é a lamentação pela perda que é algo muito mais forte e age como se ela própria tivesse se perdido junto ao objeto amado. Isso provoca um estado de desmotivação e tristeza profunda. 

    No texto bíblico, Jesus volta a sua atenção para a presença dessa mãe, de seus sintomas de tristeza e melancolia. Jesus se aproxima, e mesmo contra a lei que proibia qualquer ser humano de tocar em um defunto, o toca e ordena para que ele se levantasse. Aos olhos estupefatos de todos o jovem que estivera morto se levanta e começa a falar. Jesus o restitui à sua mãe. 

    Sou profundamente sensibilizado por Jesus por causa de sua atitude; a atitude inicial é dele. Ele decide interromper sem pedir permissão para os que conduziam o esquife e manifesta diante de todos o seu poder da ressurreição. Restitui a alegria para uma mãe que podia desistir de viver. O filho está vivo e as esperanças de novos dias se renovaram. Ali estava alguém que tinha o poder sobre a morte. Sim! Jesus continua, hoje, com poder sobre a morte.

    Essa é uma palavra de esperança e fé para você que perdeu um ente querido ou um amigo. Queríamos que essa pessoa que se foi, que morreu, ressuscitasse diante de nossos olhos hoje, pois cremos no poder de Deus para o assim fazer. Mas quando lemos que Jesus ressuscitou alguns e não todos, é para nos ensinar que, primeiramente ele é o Senhor sobre vivos e mortos, podendo ressuscitar quando lhe convêm; a morte não tem o decreto final na vida de nenhum de seus filhos. A morte é um fato que não pode ser negado, mas a vitória sobre a morte e a vida eterna são fatos ainda maiores para os que vivem e morrem em Cristo Jesus. A morte não tem mais o poder de nos matar. Até o corpo será importante na ressurreição final onde, esse corpo, antes corruptível, passará pelo processo da incorruptibilidade e transformação. 

Aprendi com Jesus também que ele não precisa ressuscitar ninguém diante de meus olhos para que eu creia nele. Eu creio é por causa de seu amor, de sua misericórdia e de sua palavra eterna, sendo os sinais de curas e milagres importantes quando forem da vontade Dele assim realizar, mas que não irá interferir em nossa fé no Senhor que pode todas as coisas. Ele pode realizar impossíveis mas nossa fé Nele não depende mais de sinais para continuarmos perseverantes em seu cuidado e amor.

    Eu não sei se essas palavras serão consolo para os que não tem esperança, mas para os que estão em Cristo Jesus faz toda diferença. Somos filhos do Eterno! Somos filhos da ressurreição. Antes, essa viúva voltaria para casa, ficaria sozinha novamente, derramaria lágrimas, deixada sem condições de sobreviver, não podendo casar e seu futuro totalmente incerto. Mas Jesus interrompe o decreto da desgraça e estabelece o decreto da renovação, da alegria, do reencontro, da vida. 
    
O profeta Isaías no capítulo 41:10 profetisa: "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça". Em outras palavras, se o seu momento é o vale da sombra da morte, diante Dele sempre haverá esperança e promessa. A vida de Jesus nos inspira a sermos povo dele mesmo, sua vida nos dá lições de manter esperança e fé. Ele pode nos permitir sentir fraqueza, ou estar fragilizados pelas perdas adversas, mas estar não significa viver, você pode estar triste, mas não vai viver triste para sempre.

    Já pensou sobre as suas mortes? O que morreu? Por que você está no caminho do cemitério? Nessa esquife, o que está contido nela? Um sonho? Um casamento destruído? Uma vida moral arruinada? Um ministério desfeito?

    A morte gera a sensação de que tudo se perdeu, o fim de tudo. Porém, Jesus traz novamente alegria, olha para o objeto de nossa tristeza e provém os meios para que não sejamos tomados de desesperança e melancolia. Ele pode ressuscitar o que está morto dentro de nós. Ele é o Senhor da Vida. 

    Não é apenas crer na ressurreição mas Naquele que tem o poder de ressuscitar.




 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

FIM DA IGREJA EVANGÉLICA - WALTER MCALISTER (ENTREVISTA)


Fim Da Igreja Evangélica


Durante muitos anos, a voz de sotaque inconfundível foi familiar aos crentes brasileiros: “Que Deus os abençoe rica e abundantamente”, dizia o fundador da igreja Pentecostal de Nova Vida pelas ondas da Rádio Relógio Federal. O missionário canadense Robert McAlister, carinhosamente conhecido no Brasil como bispo Roberto, teve papel destacado na inserção do Evangelho entre as classes médias urbanas. A denominação que fundou ajudou a mudar o conceito da sociedade acerca dos evangélicos – e, passados dezesseis anos de sua morte, seu legado é incontestável. “Ele deixou um exemplo de seriedade e valorizou a vocação pastoral”, diz, com orgulho, seu filho e sucessor no ministério, Walter McAlister Jr.
Mas os tempos e a igreja evangélica são outros. E Walter, mais do que ocupar o púlpito que um dia foi de Roberto, hoje é um analista do segmento no qual nasceu, cresceu e construiu sua carreira ministerial. Aos 53 anos, o bispo está lançando O fim de uma era (Anno Domini), livro no qual fala como observador e participante ativo do movimento evangélico nacional, com todas as suas facetas, crises e paradoxos. Mas a experiência própria não é a única credencial que ostenta – Walter, nascido nos Estados Unidos e naturalizado brasileiro, tem uma sólida formação acadêmica e teológica, que inclui os cursos de graduação e mestrado em disciplinas como psicologia e estudos bíblicos na América do Norte. Ordenado ministro do Evangelho em 1980, ele hoje é o bispo primaz e presidente do Colégio dos Bispos da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida, entidade que agrega 140 congregações.

O quadro que emerge de seu livro não é animador. Walter prevê o fim da igreja – não o corpo místico de Cristo, que segundo ele “nunca falirá”, mas o atual conceito de igreja no Brasil. “A igreja evangélica hoje não cresce, incha. A diferença é que um corpo, quando cresce, mostra saúde; já o inchaço é sintoma de alguma doença”, aponta. Como outros indícios desse mal, o bispo aponta a superficialidade, o mundanismo, a falta de ética e a corrupção. “Aliás, no que tange à corrupção do mundo secular, ela em pouco difere da que se alastra nos meios cristãos”, lamenta. Durante esta conversa com CRISTIANISMO HOJE, Walter McAlister admitiu que lhe dói o coração ver a situação da igreja contemporânea: “Queria ser mais gentil. Mas há momentos em que se faz necessário e urgente dizer a verdade dura, mesmo que isso nos custe muito.”

CRISTIANISMO HOJE – Em O fim de uma era, o senhor analisa a igreja contemporânea, e o quadro que traça não é nada animador. Trata-se de uma instituição falida?

WALTER MCALISTER – Não, a igreja nunca falirá. Ela é o corpo de Cristo e consegue sempre atravessar os séculos, mesmo que seja por meio de um remanescente fiel. Mas O fim de uma era trata do conceito atual de igreja no Brasil, e este sim, está prestes a falir. Ela está à beira de uma série de mudanças que serão percebidas como o fim, se não da igreja como um todo, certamente de um “sonho” ou de um ideal que hoje ocupa o imaginário cristão.

CRISTIANISMO HOJE - No livro, o senhor chega a falar até mesmo do fim do atual modelo de cristianismo ocidental. Caso esteja certo em seu prognóstico, o que virá depois dele?

WALTER MCALISTER - Historicamente, o que geralmente se segue a épocas como a nossa é um período de perdas, perseguições e desencanto. Os que se preparam para tais épocas promovem reflexão, semeando para uma nova era de vigor e devoção. Em primeira instância, haverá muito choro, revolta e medo. Haverá quem vá perguntar o que deu errado e os que se calarão, pasmos pelas perdas. Muitos fugirão dos líderes desacreditados. As coisas podem piorar ainda mais. Mas há sempre a possibilidade de renovação em meio aos escombros. O remanescente fiel se voltará para Deus em oração. Haverá redutos de oração intercessória, contrição e comunhão.

CRISTIANISMO HOJE - Alguns demógrafos preveem que os crentes poderão ser metade da população nacional já por volta da década de 20 deste século. Poucas nações do mundo experimentaram avanço tão notável de um segmento religioso na história contemporânea, fato que é muito festejado por líderes evangélicos – e criticado por outros tantos, que não têm enxergado qualquer mudança significativa na sociedade a partir dessa maior presença evangélica. É um paradoxo?

WALTER MCALISTER – A igreja evangélica no Brasil hoje não cresce, incha. A diferença é que um corpo, quando cresce, mostra saúde; já o inchaço é sintoma de alguma doença. A qualidade da nossa devoção coletiva caiu muito, embora os nossos números tenham crescido. Os que não veem mudança estão equivocados. Mudou muita coisa, sim. No livro, mostro que tanto a sociedade quanto a igreja evangélica visível se tornaram mais superficiais, mais fascinadas pelos meios, mais gananciosas – e ficaram menos éticas e menos sérias. Aliás, no que tange à corrupção do mundo secular, ela em pouco difere da corrupção que se alastra nos meios cristãos.

CRISTIANISMO HOJE - Cada vez mais pessoas famosas, como artistas e celebridades, têm frequentado igrejas, mas essa alegada conversão parece não interferir em seu comportamento. Qual o preço disso para a fé evangélica?

WALTER MCALISTER – A fé foi banalizada e transformada numa filosofia vazia. Em grande parte, a igreja perdeu a sua alma. O fato de celebridades afirmarem conversão sem o necessário fruto de arrependimento é o resultado direto, e mais visível, de uma distorção da mensagem cristã. Afirmar que uma profissão pública de fé é o suficiente para que alguém se considere salvo reduz o conceito da salvação a um momento de decisão apenas. Mas Tiago disse que fé sem obras é morta. Muitos chegarão a Cristo, no último dia, fazendo uma “profissão” de fé. Mas obterão uma resposta condenatória, por eles terem praticado o mal. Paulo disse que o justo viverá pela fé, mas também disse que haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça, conforme Romanos 2.7 e 8.

CRISTIANISMO HOJE - O senhor aponta os líderes evangélicos como grandes responsáveis pela crise da Igreja. Qual a sua avaliação sobre a liderança evangélica brasileira?

WALTER MCALISTER – A liderança evangélica brasileira reúne de tudo um pouco. Ocupamos um espectro largo, que vai dos mais corruptos e hipócritas aos mais piedosos e angustiados com a situação atual. Há homens muito bons no Brasil que querem servir ao Senhor, mas são pressionados, qual Arão, a fabricar bezerros de ouro para agradar o povo e garantir, por exemplo, uma reeleição a seu posto. Mas também há lideres que vendem seus púlpitos a agendas políticas, ou pior, traem sua vocação sacerdotal se candidatando pessoalmente a cargos eletivos. Há mercantilistas que usam o Evangelho como desculpa para vender seus produtos na TV, enriquecer ou obter benesses de poderosos. Para eles, a Bíblia é um pretexto e não uma autoridade. São pessoas equivocadas ou corruptas, que criam igrejas vaidosas, vazias e superficiais. Por outro lado, há homens que se dedicam, de corpo e alma, ao serviço do povo de Deus. Não são famosos, mas estão dando sua vida em prol do rebanho do Senhor.

CRISTIANISMO HOJE - Por que a igreja contemporânea tem abandonado temas antes considerados inegociáveis, como arrependimento, justificação pela fé, juízo de Deus, céu e inferno e segunda vinda de Cristo?

WALTER MCALISTER – Porque essas não são mensagens populares. Elas incomodam aqueles que procuram na fé apenas um meio de alcançar bem estar. Somos uma civilização narcisista, uma sociedade que define o mundo a partir da sua própria vontade. Como já aconteceu inúmeras vezes ao longo da história da Igreja, a proclamação do Evangelho hoje rende-se muitas vezes às questões do dia a dia, da moda ou dos anseios da sua geração.

CRISTIANISMO HOJE - E quanto aos assuntos básicos da fé e da prática evangélica, como batismo, liturgia e pecado? Na sua opinião, as igrejas têm falhado no ensino?

WALTER MCALISTER – A igreja sofre, de modo geral, de um analfabetismo bíblico e teológico, bem como uma miopia histórica surpreendente. Pelo nível de ignorância bíblica que percebo na maioria dos cristãos, associado à ausência de piedade demonstrada pelo povo de Deus, eu diria que alguém está deixando a dever. Esse problema não acha sua fonte no rebanho, mas nos pastores. É bom lembrar que foram os líderes das sete igrejas do Apocalipse que foram cobrados pela condição dos rebanhos.

CRISTIANISMO HOJE - evangélicos sempre criticaram católicos por suas concessões à religiosidade popular e às superstições religiosas. A igreja evangélica brasileira pratica hoje uma fé sincrética?

Sem dúvida! No que diz respeito à religiosidade popular, já ultrapassamos os católicos. Aliás, de uns tempos para cá, os católicos até estão copiando as nossas práticas populares.

CRISTIANISMO HOJE - É possível falar-se em unidade do Corpo de Cristo diante da infinidade de igrejas e denominações que existem hoje?

WALTER MCALISTER – A unidade do Corpo de Cristo não é um projeto, é um fato. Ao mesmo tempo, Paulo disse que é necessário que haja divisões entre nós para que os aprovados sejam conhecidos, conforme I Coríntios 11. Logisticamente, a união institucional é impossível; sempre foi assim, desde a igreja do primeiro século, com todas as suas divergências e ramificações. Todavia, há uma só Igreja. Quem a vislumbra como um todo vê algo estranhamente animador: há membros da igreja invisível atuando em todos os arraiais. Há pessoas piedosas, devotadas a Cristo, com todos os seus defeitos, erros de doutrina e diferenças, que estão contribuindo para o crescimento do Reino de Deus.

CRISTIANISMO HOJE - Por que a evangelização clássica, aquela da visitação a lares e hospitais, dos cultos ao ar livre e do evangelismo pessoal, foi abandonada pelas igrejas?

WALTER MCALISTER – Bem, não estou ciente de tal abandono. Há ainda muitas igrejas que visitam lares e realizam evangelismo em hospitais ou prisões. Acontece que a comunicação vem sofrendo uma revolução incrível. Talvez, no caso de cultos ao ar livre, eles tenham sido substituídos por novas formas de proclamação. Mas concordo que não há o mesmo zelo por almas perdidas que vi quando jovem. Talvez tenhamos nos tornados frios e sem compaixão pelos que estão se perdendo. É um fato triste e denuncia o esfriamento do nosso amor, inclusive pelo Senhor.

CRISTIANISMO HOJE - Pode-se dizer que o neopentecostalismo é um movimento de fé genuinamente evangélico?

WALTER MCALISTER – Antes de tudo, é fundamental aqui definirmos bem os termos evangélico e neopentecostal. Primeiro: o termo neopentecostalismo não é para mim um conceito cronológico, no sentido de um movimento que evoluiu com o passar do tempo a partir do pentecostalismo e que, por isso, configuraria uma nova etapa do pentecostalismo. Nada disso. Quando falo de neopentecostalismo, refiro-me a algo que evoluiu a partir da invasão de valores neoliberais e materialistas na periferia do antigo pentecostalismo. O que resultou dessa mutação é uma espiritualidade formada em função de valores e anseios seculares, mundanos.

CRISTIANISMO HOJE - O que deu certo e o que deu errado no neopentecostalismo brasileiro?

WALTER MCALISTER – O que deu errado é que eles acabaram formando valores anticristãos e levam pessoas a segui-los. Nesse caso, expandir esse tipo de fé não é nenhum mérito – na verdade, é um problema. O que deu certo – e eu não diria que “deu certo”, mas que funcionou – para o neopentecostalismo foi atender certos anseios das massas, no que se refere aos desejos dessa geração, e oferecer soluções fáceis, como qualquer profissional de marketing faria. O povo se sente explorado, impotente e vitimado. Assim, a oferta de uma certa ilusão de poder adquirido é tudo o que o povo quer. Por isso, os neopentecostais crescem numa velocidade impressionante.

CRISTIANISMO HOJE - A fé como produto de consumo, onde a bênção está diretamente ligada à atitude do devoto diante da organização religiosa, é a ênfase na mídia produzida pelos grupos evangélicos, particularmente na TV. É uma maneira legítima de divulgar a fé?

WALTER MCALISTER – De forma alguma; é antibíblica, pois Deus fica em segundo plano, enquanto o cliente – o necessitado – fica em primeiro. Em vez de pregar submissão a Deus e confiança na sua vontade, que pode até se manifestar por meio de cura ou resposta a oração, vemos o benefício proclamado como o bem principal. Isso é idolatria. Além do que, a televisão em si é um meio comprometido e incapaz de formar conceitos cristãos. A presença de pastores na televisão é equívoco. Um equívoco bem-intencionado, mas ainda assim um equívoco.

CRISTIANISMO HOJE - A igreja Cristã Nova Vida é neopentecostal?

WALTER MCALISTER – Não a considero neopentecostal, como muitos a classificam, pois ela nem de longe compactua com esses valores e anseios. Somos “neo” por termos sido fundados há pouco tempo, em termos históricos, e somos “pentecostais” por crermos na continuidade dos dons manifestados no dia de Pentecostes. Mas não somos neopentecostais, pois rejeitamos essa espiritualidade mundana e todas as suas práticas. Na verdade, as origens da igreja Cristã Nova Vida se reportam à Rua Azuza, em Los Angeles, em 1906. Meu tio-bisavô, R.E. McAlister, levou a mensagem pentecostal de lá para o Canadá, onde ajudou a fundar as Assembleias de Deus canadenses. Seu sobrinho, Walter – meu avô –, foi superintendente nacional durante os anos 50 e o filho dele, Robert, foi o nosso fundador. Fomos fundados, então, em cima dos firmes alicerces de Azuza e não de movimentos análogos posteriores. Assim, meu pai não “brotou” no Brasil com uma nova teologia inventada; ele deu continuidade à teologia clássica que vinha se desenvolvendo em seu país desde o avivamento de Azuza.

CRISTIANISMO HOJE - Seu pai, carinhosamente chamado pelos crentes brasileiros de bispo Roberto, teve participação direta na explosão do neopentecostalismo. Diversos líderes dessa corrente – Edir Macedo, fundador da igreja Universal; Romildo Soares, que deu origem à igreja da Graça; e Miguel Ângelo, da Cristo Vive – são oriundos da igreja de Nova Vida e foram seguidores de Roberto. Olhando agora em perspectiva, como o senhor avalia este legado? Acha que o bispo McAlister cometeu equívocos em sua trajetória ministerial?

WALTER MCALISTER – Todos cometem equívocos. Mas qualquer pessoa com um mínimo de informações não estereotipadas e superficiais sobre o bispo Roberto sabe que não se pode atribuir as práticas neopentecostais negativas aos equívocos do meu pai. Veja que muitos ex-católicos fundaram seminários evangélicos conceituados, mas ninguém aponta o papa como pai desses seminários. Ora, do mesmo modo, é um equívoco apontar meu pai como ligado diretamente a esses movimentos. O fato de a Nova Vida ter sido o lugar onde esses líderes começaram sua jornada cristã não faz de meu pai seu mentor. Basta ler seus livros, como O encontro real, Dinheiro – Um assunto altamente espiritual e Bem-vindo ao Reino de Deus, entre outros, para perceber que, mais de trinta anos atrás, ele já denunciava como negativas as práticas que depois se tornariam tão conhecidas e associadas ao mundo neopentecostal.

CRISTIANISMO HOJE - Por que a Nova Vida dividiu-se em duas correntes?

WALTER MCALISTER – Porque houve quem não concordasse com a direção que dei à denominação após a morte de meu pai. Houve ainda quem vislumbrasse outro para sucedê-lo como primaz. Eles estavam no seu direito de achar isso.

CRISTIANISMO HOJE - Isso não foi resultado da descentralização administrativa, já que cada igreja local recebeu autonomia?

WALTER MCALISTER – Bem, vamos considerar que ajuntamento de facções não constitui união. Ao darmos independência, cada um pôde escolher pertencer ou não. A união tornou-se muito mais legítima, uma vez que passou a ser uma questão do coração e não de um nome em comum apenas. A igreja Cristã Nova Vida é uma associação voluntária de igrejas independentes, que afirmam o bispo primaz como o seu pastor. Mas cada pastor opta livremente por seguir minha liderança, que é pastoral em palavra e exemplo. Os líderes que não desejam continuar a andar conosco estão perfeitamente livres para sair, sem perder pensão ou plano de saúde, nem tampouco a sua igreja. A minha atuação, assim como a do Colégio de Bispos, funciona como numa igreja local – só que os nossos membros são ministros ordenados. Nós velamos pelo bem estar de cada pastor, pela ética, pela harmonia doutrinária e pela transparência e a responsabilidade fiscal. Os que desejam andar conosco empenham sua palavra de viver dentro desses parâmetros, afirmados anualmente na assinatura da Aliança das Igrejas Cristãs Nova Vida.

CRISTIANISMO HOJE - 
Uma reunificação das diferentes vertentes hoje faria sentido?

WALTER MCALISTER –
 Isso não me parece plausível. Uma reunificação teria de passar pelas mesmas questões que nos separaram desde o início. Hoje existem muitas “Novas Vidas”, igrejas que saíram de nós e de algum modo mantêm o, digamos, sobrenome por se reportarem ao bispo Roberto como fundador. Não há planos para reunificá-las. Acho que seria como querer transformar o português, o espanhol e o francês novamente em latim. Muito tempo passou, doutrinas foram reavaliadas, posturas foram firmadas e cada linha de atuação acabou por se distanciar das outras. Embora tenhamos esse mesmo sobrenome, somos igrejas realmente diferentes.

CRISTIANISMO HOJE - As diferenças entre igrejas tradicionais e pentecostais já não têm a mesma diferença de outros tempos. É como se houvesse uma terceira via teológica, misturando as características dos dois grupos. O senhor acha isso bom ou ruim?

WALTER MCALISTER – Para responder, é preciso analisar caso a caso. Há igrejas tradicionais que realizam cultos nos moldes neopentecostais. Não creio que isso seja benéfico. Pelo contrario, é um modus operandi esquizofrênico, pois nos cultos tradicionais essas pessoas abraçam as máximas da tradição, mas em determinados momentos abandonam essas máximas para desfrutar de métodos neopentecostais. Por outro lado, há pentecostais que estão se reavaliando. E, consequentemente, buscando trazer do passado práticas e noções bíblicas e benéficas que claramente foram perdidas durante a ruptura entre os tradicionais e os pentecostais, para não falar da ruptura que houve durante a Reforma Protestante. Concordo que houve uma mistura e creio que cada igreja seria muito bem servida pelos seus lideres se voltasse a valorizar suas próprias origens. Afinal, uma tradição não é uma prisão, e sim um lar.

CRISTIANISMO HOJE - O senhor diz em seu livro que se sente solitário no ministério. Quais os reflexos dessa solidão na vida de um ministro do Evangelho?

WALTER MCALISTER – Essa solidão nos remete ao silêncio e a uma reavaliação constante de motivações. Ou vivemos perante a face de Deus intencionalmente ou buscamos nos outros a justificação de nosso ministério e nossa vida. O primeiro é um caminho difícil, mas necessário. O segundo é vaidade e correr atrás do vento.

 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Benditas Cicatrizes

Cicatrizes? As carrego em minha alma, Deus as conhece e muitas foram feitas por Ele.





segunda-feira, 1 de maio de 2017

REFLEXÃO - DANIEL E SUA CONSCIÊNCIA DIANTE DE DEUS


E Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.

Daniel 1:8

Tudo podia dar errado na vida do jovem Daniel e de seus amigos. Viram sua cidade ser tomada pelo inimigo, o exército de Babilônia. Jerusalém fora sitiada e conquistada pelo rei Nabucodonozor. A partir daí, a vida de muitos jovens não seria mais a mesma, seriam tomados como escravos a serviço dos desejos do império babilônico. Casas, famílias, sonhos, tudo isso ficara para trás e só havia em muitos a esperança que Deus se lembraria deles. Aliás, foi nesse período de cativeiro ou exílio que os profetas Jeremias, Ezequiel e o próprio Daniel exerceram seu ministério profético. Os historiadores dizem que foram 50 anos de cativeiro babilônico.

Daniel era um desses jovens ali que fora preso e cativo, mas o seu coração jamais experimentara alguma prisão. Sua liberdade de cosnciência lhe dava força para não abrir mão de sua convicção pessoal. Ele sabia quem era pra Deus, sabia quem Deus era para ele e sabia quem ele era para ele mesmo. Nada melhor do que viver com a consciência limpa e tranquila. "Portanto, quer comais qquer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus" 1 Coríntios 10:31; "Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente" Salmos 2:4; "Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados" Tito 1:15 

Havia uma ordem de Deus para que Daniel e seus amigos fossem tratados de uma maneira diferenciada, com alguns privilégios. Nesse momento Daniel podia cair em um sutil engano e aderir ao "triunfalismo evangélico" e dizzer: "Que benção! Até na prisão Deus está me honrando, sou filho do Rei, e esse ímpio tem mais é que me servir mesmo!" Mas é justamente o contrário que vemos na atitude de Daniel. A proposta era para que participasse das finas iguarias do rei, que bebesse seu vinho e tivessem certas facilidades. Daniel não aceitou! Daniel sabia que aceitar esses privilégios iria contra a sua própria consciência. Sabia que iria participar da mesa do rei babilônico seria abrir mão de sua nacionalidade, de sua comunhão com Deus e uma aproximação com um ídolo. Nenhuma comida seria melhor que comunhão com Deus; nenhum vinho seria mais saboroso que a sobriedade e o vigor de princípios estabelecidos. Por isso, Daniel é radical e diz não aos caprichos oferecidos que anesteciam a consciência.

O texto diz que Daniel, firmemente, ou firme-mente, decidiu não contaminar-se. Para muitos naquela hora era um alimento qualquer, para Daniel, era uma porta de entrada para coisas estranhas, esquisitas que afetariam sua comunhão com Deus e poderia contaminar sua consciência. Ele vê além e sabe que o que o espera seria distorção e contaminação. Ele prossegue firme em servir a Deus e a obedecê-Lo a despeito de ofertas que, apesar de atraentes, são um veneno para a alma.

É lindo ler a sequência dessa história. Deus está no controle da nossa vida. Vale a pena servir a Deus apenas porque o amamos, sem interesse de algo além Dele mesmo. Quando temos Deus em nossa vida já possuímos tudo de que precisamos. Inclusive falar com Ele através das orações que necessitamos como uma prática e exercício espiritual diário.

Deus concede misericórdia a Daniel! Muito mais que isso, Deus interveio na mente do copeiro para que houvesse compreensão no pedido de Daniel. Gosto disso, Deus se intrometendo na história! Em um momento o servo de Deus obedecendo, praticando, fugindo do mal; depois, Deus agindo em favor desse mesmo servo. Uma atitude de amor para com Deus que acarreta uma ação de amor de Deus por nós. Tudo nos levará para experimentar o amor Dele por mim e por você.

Mas é um amor que amadurece, me faz crescer, ganhar consistência espiritual.

Jesus disse: " Bem aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós" Mateus 5: 11,12

Mesmo na injúria e na perseguição podemos manter essa bem aventurança no coração da gente, crendo que não estamos sozinhos. Daniel podia pensar que estava sozinho e poderia não saber que a mão invisível de Deus já estava pronta para agir em seu favor.

"Firme nas promessas do meu salvador..."

Pense Nisso!

Fábio Menen

domingo, 26 de fevereiro de 2017

REFLEXÃO SOBRE FÉ


E somos chamados a vivermos pela fé!

E olha, não é muito fácil, tenho muita dificuldade em exercer essa consciência.

Mas a ordem de Deus em sua palavra é muito clara a esse respeito: o justo viverá pela fé.

Parece que a fé torna-se esse elemento que nos acompanha diariamente em nosso viver e na rotina do dia a dia. Ora, sem fé é impossível agradar a Deus.

Uma fé que O agrade! Interessante, pois geralmente queremos uma fé que nos agrade e seja um elemento ao qual eu me aproprio para o meu próprio benefício. Uma fé que exista para me servir, quase como elemento auto consciente.

Mas essa fé que acompanha o justo é a que faz Deus se agradar de quem o possui. A fé que tenho, o tenho, para que isso faça-se agradável a Deus. Uma fé que nos leva a estarmos tão sujeitos e cativados pelo amor do Espírito em nós que não há nenhuma fé projetada para minha própria satisfação mas para a consecução da vontade de nosso Deus. Uma fé que nos leva a pedir de acordo com a vontade Dele pois a vontade Dele já será minha vontade.

Porém, gostamos de traçar planos, saber rotas, administrar entradas e saídas, conhecer o início, o meio e o fim para que nos sintamos mais seguros. Isso não é necessariamente errado. Precisamos sermos pessoas com os pés no chão e coerentes com a realidade. Mas a palavra de Deus nos chama para um patamar muito maior.

Por um lado isso pode gerar alguma insegurança. Quem não gostaria de saber sobre seu futuro? Será por que não temos medo, receio, ambição, planos ou dúvidas? Acredito que não seja esse o caso. A vida pode nos apresentar sustos ou alegrias com as surpresas dela. Andamos no chão da vida com a determinação de irmos e prosseguirmos para a frente, porém, esteja preparado pois também você poderá encontrar algum empecilho, impedimento, um abismo. Nesse momento em que esse abismo se apresenta diante de você, penso eu, que essa é a oportunidade de um novo posicionamento e desenvolvimento. Aí nada melhor e mais coerente do que essa determinação de Deus: o justo deve viver pela fé.

A fé está aí nas Escrituras, e também, a definição dela: "a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que se não veem". Bem, segundo Deus, esse é um chão que devemos caminhar. Um chão invisível mas com a certeza que ele está lá. Está lá porque a fé afirma como sendo
mesmo que ainda não seja, pois existe apenas como coisas que se esperam e fatos que se não veem. 
Porém, não é o justo que faz a fé, é a fé que faz o justo.

O justo anda no chão das incertezas mas sempre se movendo e se direcionando adiante e para a frente. Ora, nós temos inúmeras promessas de nosso Senhor Jesus de que não nos deixaria sozinhos. Em um mundo como o nosso isso só é possível, isto é, crer nessas promessas, por causa da fé que nos impulsiona a vermos o invisível e ainda assim não descrermos da promessa. A fé desabrocha em nós a coragem de abraçar o invisível. Aqui é partir para o Tudo e não para o Nada.

A fé vem pelo ouvir as palavras de Deus. Tenho que domesticar minha mente à Palavra de Deus, A fé tem como meio de acesso ao homem através da escuta, do ouvir os evangelhos, as escrituras. Daí você aprende a viver, muitas vezes, não sabendo para onde vai o curso da vida mas descansando e confiando pois saberá com Quem se está andando. Não devemos nos eximir responsavelmente, mas também não deixaremos de depender de Deus em nossa vida. Você realmente depende de Deus?
Você confia Nele e não apenas em seus recursos? Se te faltasse esses recursos hoje você ainda confiaria e creria Nele? Aceitaria o chamado para abraçar o invisível e ter convicção de fatos que se não veem?

Pela fé você pode viver o dia chamado hoje! Hoje você pode consertar erros, desfazer equívocos, tomar nova postura e decisão, ter encontros que fazem diferenças para o melhor, rever seus valores e melhorá-los, aprofundá-los e catapultar tudo isso para o Senhor de sua vida, sabendo que nada pode separar você do amor Dele.

Vamos viver pela fé! Vamos viver para a glória de Deus! Vamos viver sem medo mesmo diante do caos e do abismo pois quem está em Cristo, que é a rocha firme, fortalecerá nosso coração e nossas convicções na Palavra e seguiremos a vida pela fé.

Pense nisso.

Fábio menen